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A cápsula espacial Dragon V-2, no primeiro teste

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A empresa californiana SpaceX testou com sucesso nesta quarta-feira o sistema de ejeção de sua cápsula espacial Dragon V-2, um passo fundamental em direção a enviar pessoas para o espaço de solo norte-americano nos próximos dois anos.

Não só o teste de fuga saiu conforme o planejado, como também deu à empresa com sede na Califórnia uma chance de mostrar a performance da nave espacial que um dia poderá transportar carga para destinos no espaço profundo, como Marte e outros inclusive mais longínquos que o planeta vermelho.

A agência espacial norte-americana descreveu o teste como "um passo importante no esforço da Nasa para reconstruir a capacidade dos Estados Unidos de lançar tripulantes para a Estação Espacial Internacional a partir de território norte-americano".

O teste também "provou a capacidade da espaçonave de levar astronautas em segurança no caso improvável de uma situação de risco de vida na plataforma de lançamento", reportou a Nasa.

O recurso de ejeção não equipava uma nave espacial americana há décadas, desde as missões Apollo à Lua em 1960 e 1970.

A ejeção da Dragon vai mais longe do que aquelas projetadas no passado, e pode ser usada em caso de emergência por todo o caminho até a órbita, e não apenas nos segundos após a decolagem.

"Acho que este é um sinal muito bom para o futuro do programa. Não quero estragar isso", afirmou Elon Musk, CEO da SpaceX.

Manequim no espaço

Com um manequim a bordo, a espaçonave Dragon decolou de Cabo Canaveral numa manhã nublada.

Oito motores de foguete SuperDraco, montados nas paredes da cápsula, impulsionaram a nave espacial para fora da plataforma de lançamento.

A cápsula em formato de jujuba acelerou de 0 a 160 quilômetros por hora em 1,2 segundos e atingiu uma velocidade máxima de 555 quilômetros por hora.

"Isso é sinal de bastante vigor", brincou Musk.

Em pleno voo, em cerca de 1.500 metros, a nave espacial alijou seu tronco e três para-quedas foram destacados para desacelerar a descida da cápsula Dragon antes de cair no Oceano Atlântico.

O teste acabou em menos de dois minutos.

"Se houvesse pessoas a bordo, elas teriam ficado em ótima forma", disse Musk.

A capacidade de abortar tem sido uma característica de outras cápsulas espaciais construídas pela Rússia, mas com sistemas que só funcionam logo após o lançamento.

Sete pessoas morreram quando o ônibus espacial Challenger explodiu após o lançamento em 1986 e outros sete morreram quando o ônibus espacial Columbia se desintegrou na reentrada na Terra em 2003.

O programa de ônibus espaciais foi aposentado em 2011 depois de três décadas. Desde então, os viajantes espaciais do mundo contaram com as cápsulas Soyuz da Rússia, a um preço de 71 milhões dólares por assento.

Adequada para Marte

Os próximos principais testes para a Dragon no próximo ano são um teste de interrupção de alta altitude seguido de um voo não tripulado para a Estação Espacial Internacional, segundo Musk.

A Dragon deve viajar levando tripulantes para o espaço em algum momento de 2017. Uma versão somente de carga da cápsula espacial já faz viagens regulares de fornecimento para a Estação Espacial Internacional.

Musk, cofundador da PayPal que também dirige a Tesla Motors, disse que os voos tripulados são prioridade, mas que vislumbra missões pelo espaço profundo.

"A Dragon foi realmente concebida não apenas para o transporte de tripulação de e para a estação espacial, mas também de modo mais geral, é capaz de transportar cargas úteis científicas para qualquer lugar do sistema solar que tem uma superfície líquida ou sólida, com ou sem uma atmosfera", explicou Musk.

A Dragon poderia carregar entre duas e quatro toneladas de suprimentos para Marte, onde a Nasa espera enviar exploradores humanos até 2030.

"Então estamos bem animados em explorar essa possibilidade", disse Musk.

AFP