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Martin Schulz, candidato a chanceler, durante discurso em Dortmund, em 25 de junho de 2017

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O social-democrata Martin Schulz passou à ofensiva neste domingo, a três meses das eleições legislativas na Alemanha, e acusou de "arrogância" a chanceler Angela Merkel, que tem grande vantagem nas pesquisas.

Em um congresso de seu partido, o SPD, neste domingo em Dortmund, em pleno coração da região operária do Ruhr, o ex-presidente do Parlamento Europeu tentou criar um novo estímulo para sua campanha, um tanto estagnada, e atacou frontalmente a chanceler conservadora.

"O maior risco é a arrogância do poder, as pessoas sentem", afirmou em seu discurso Schulz, de 61 anos, em referência ao Partido Democrata-Cristão (CDU) da chanceler, no poder desde 2005 e que aspira um quarto mandato, o que seria histórico em termos de longevidade.

Há três meses tudo parecia seguir muito bem para Schulz. Depois de ser designado o candidato social-democrata no fim de janeiro, as pesquisas mostravam quase um empate com Merkel, que no momento era muito criticada pela decisão de receber mais de um milhão de refugiados desde 2015.

Mas o "efeito Schulz" derreteu em poucos meses, com três eleições regionais vencidas com folga pelo partido CDU da chanceler.

A tarefa para reconquistar a opinião pública se anuncia difícil para Schulz, novato no cenário político alemão.

De fato, desde então Merkel não para de subir nas pesquisas. A mais recente mostra a CDU com uma vantagem de 15 pontos sobre o SPD (39% contra 24%).

Schulz está agora decidido a contra-atacar e criticou neste domingo a adversária por "calar sistematicamente os debates sobre o futuro do país", atitude que chamou de "ataque contra a democracia".

O discurso é uma alfinetada na estratégia política de Merkel nos últimos anos: evitar os conflitos diretos e passar a imagem de tranquilizadora estabilidade, da qual se beneficia entre a opinião pública.

Martin Schulz detalhou seu programa, que tem como tema a "justiça social". Ele prometeu uma redução dos impostos para as classes populares e maior pressão fiscal para os mais ricos. Com isso, o SPD espera apresentar um discurso mais à esquerda para tentar compensar a desvantagem nas pesquisas.

Schulz se comprometeu, se for eleito chanceler, a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tema sobre o qual os conservadores de Merkel não querem ouvir falar. O candidato do SPD estabeleceu a questão como uma condição para futuros acordos de coalizão.

Os democratas-cristãos de Merkel - que governam desde 2013 em coalizão com os social-democratas a nível federal - poderiam abrir mão do SPD na próxima coalizão graças a uma aliança com os liberais do partido FDP, o que representaria um Executivo mais à direita.

Em um clima de incerteza global gerado pelo Brexit, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e o avanço do populismo em alguns países, Merkel representa um polo estabilidade que tranquiliza a opinião pública alemã.

AFP