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(Arquivo) Steve Bannon, em Nova York

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Sua cabeleira grisalha não será mais vista perto de Donald Trump na Casa Branca. O "presidente Bannon", como era chamado o influente conselheiro de ideias radicais de direita, finalmente foi afastado da Ala Oeste da residência do Poder Executivo.

Desde a sua nomeação, em novembro de 2016, o ex-diretor do controverso site Breitbart, bíblia virtual da alt-right (direita alternativa), gravitava fortemente nas decisões tomadas pelo executivo americano.

Quase sempre Bannon era visto no mesmo recinto que Trump, discreto mas onipresente, e até acompanhando o chefe de Estado americano com um ar aparentemente displicente.

Meses antes da vitória de Trump, Bannon começou a imprimir sua marca na campanha, com suas posições populistas sobre uma ordem mundial controlada por elites políticas e financeiras.

Uma vez ganha a eleição, uma surpresa estreitamente vinculada ao seu nome, sua nomeação como conselheiro estratégico do presidente provocou críticas de associações anti-racistas e dos democratas.

Eles lembraram dos vários artigos incendiários publicados em Breitbart, beirando ao anti-semitismo, alimentando a nostalgia pela bandeira confederada ou criticando a imigração e o multiculturalismo.

"A extrema-direita racista e fascista está representada no Salão Oval. Os Estados Unidos precisam ficar alerta", advertiu no Twitter John Weaver, próximo ao republicano moderado John Kasich.

- Finanças e cinema -

Steve Bannon, de 63 anos, dirigiu o Breitbart até sua nomeação em agosto de 2016 como chefe de estratégia por Trump.

O virulento crítico do establishment político havia sido antes banqueiro de investimentos no Goldman Sachs nos anos 1980.

Depois de fundar seu próprio banco de investimentos, o Bannon & Co, comprado em 1998 pela Société Générale, se tornou depois produtor de filmes em Hollywood.

Nos anos 2000, começou a produzir filmes políticos, sobre Ronald Reagan, o Tea Party e Sarah Palin, governadora do Alasca.

Nessa época conheceu Andrew Breitbart, fundador de um site epônimo, unindo-se à guerra do Tea Party contra o establishment político, tanto democrata como republicano. Em 2012, com a morte de Andrew Breitbart, ele assumiu o controle do site, com sede em Washington.

Ex-presidente da Câmara de Representantes, o republicano John Boehner é uma de suas vítimas em 2015 e seu substituto, Paul Ryan, continuou sendo alvo de reiterados ataques em Breitbart.

- O "bordel" de Bush -

Bannon afirma ter crescido em uma família operária democrata pró-Kennedy, pró-sindicatos. Ele conta que sua crítica ao establishment data de quando percebeu que George W. Bush transformou a política em "um bordel igual ao de (Jimmy) Carter".

Deleitando-se com a provocação, proclamou "o nascimento de uma nova ordem política" e afirmou que "quanto mais se escandalizarem as elites midiáticas, mais poderosa será essa nova ordem política".

Na primeira entrevista concedida depois de sua chegada à Casa Branca, garantiu que não era "um supremacista branco", mas, sim, um "nacionalista econômico".

Sus relações com o genro de Donald Trump foram notoriamente ruins.

A nomeação como conselheiro presidencial gerou comemorações na extrema-direita, principalmente pelo ex-líder da Ku Klux Klan, David Duke.

Paradoxalmente, sua queda acontece depois da violência que enlutou a cidade de Charlottesville na Virgínia, onde no sábado passado um militante da direita radical atropelou manifestantes anti-racistas, matando uma mulher e ferindo dezenas deles.

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AFP