O superávit comercial da China com os Estados Unidos cresceu no ano passado - apontam dados divulgados nesta segunda-feira (14), enquanto as exportações e as importações caíram em dezembro, quando a segunda economia mundial começa a ser afetada pela guerra comercial.

O superávit comercial com os Estados Unidos é uma fonte de agitação no governo de Donald Trump, que, no ano passado, impôs tarifas no valor de bilhões de dólares sobre produtos chineses.

Apesar disso, as exportações da China para os Estados Unidos aumentarem 11,3%, enquanto as importações mal avançaram 0,7% em relação a 2017. Com isso, o superávit comercial chegou a 323,32 bilhões de dólares em 2018, comparado com os 276 bilhões no ano anterior.

Isso representa um aumento de 17,2% do superávit comercial da China em relação aos Estados Unidos.

Esse resultado mostra que as medidas da Casa Branca estão tendo um impacto, já que as exportações chinesas para os Estados Unidos estagnaram no mês passado.

Publicados pela Administração Aduaneira da China, esses dados são divulgados depois que uma delegação dos Estados Unidos fez uma visita de três dias a Pequim na semana passada, no primeiro encontro presencial entre representantes dos dois países desde que Donald Trump e Xi Jinping concordaram com uma trégua de 90 dias para resolver a crise em dezembro.

Trump quer que Pequim compre mais produtos americanos para reduzir o déficit comercial, além de melhorar o acesso a atores estrangeiros e maior proteção no mercado chinês.

Tradicionalmente, a China importa grandes quantidades de grãos de soja dos Estados Unidos na segunda metade do ano, convertendo-se na importação mais valiosa do país americano.

- 'Diferentes etapas' -

As compras foram reduzidas no ano passado, porém, depois que a China impôs uma tarifa de retaliação de 25%. As importações totais de soja caíram 7,9% em 2018, para 88 toneladas, segundo dados da Alfândega.

"O desenvolvimento geral do comércio sino-americano em 2018 ainda era relativamente normal, mas o superávit comercial cresceu ligeiramente", disse o porta-voz da Administração Aduaneira, Li Kuiwen.

"Acreditamos que isso ocorre, porque China e Estados Unidos estão em diferentes estágios de desenvolvimento e também reflete a natureza altamente complementar das economias", acrescentou Li.

O ministro chinês do Comércio disse à imprensa estatal na sexta-feira que a China vai trabalhar para resolver os atritos com os Estados Unidos este ano.

As exportações chinesas para o restante do mundo caíram 4,4% em dezembro em relação ao ano anterior, enquanto as importações caíram 7,6%, refletindo a fraca demanda interna e externa.

O volume comercial do gigante asiático com o resto do mundo avançou no ano passado, mas seu superávit comercial caiu 16,2%, a 351,8 bilhões de dólares, com as importações, que registraram alta de 15,8%, avançando mais do que as exportações, que aumentaram 9,9%, segundo estatísticas oficiais.

As exportações representaram 2,48 trilhões de dólares, e as importações chegaram a 2,14 trilhões de dólares, o que significa um volume total de comércio de 4,62 trilhões de dólares.

O volume de trocas com os três principais parceiros comerciais da China - a União Europeia, os Estados Unidos e os países da Associação das Nações do Sudeste Asiático - continuou a aumentar: 7,9%, 5,7% e 11,2%, respectivamente, de acordo com a fonte oficial.

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