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(Arquivo) Um mosquito Aedes aegypti é visto em Cali, no dia 25 de janeiro de 2016

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O vírus zika, que está por trás do surto registrado no Rio de Janeiro no ano passado, assemelha-se a uma cepa asiática e pode ter sido introduzido por atletas das ilhas do Pacífico - disseram pesquisadores nesta terça-feira.

O informe publicado no periódico PLOS Neglected Tropical Diseases corrobora a hipótese de que o zika pode ter chegado ao Brasil por meio dos atletas que participaram de um campeonato de canoagem no final de 2014.

Os especialistas manifestaram sua preocupação com a possibilidade de um surto de zika ainda mais grave durante os Jogos Olímpicos no Rio.

"Neste ponto, os serviços de saúde devem ser alertados sobre a possibilidade de que uma epidemia ainda maior durante o verão 2015-2016 se propague para mais áreas e afete uma população que não estava exposta durante a última temporada de transmissão", advertiu o estudo.

Suspeita-se, fortemente, de que o vírus zika está por trás de um surto de microcefalia, um problema de má-formação que causa o nascimento de crianças com a cabeça menor. Ainda não se comprovou, porém, a relação entre ambos.

Embora ainda seja "especulativo", dez amostras selecionadas se "agruparam com o genótipo asiático".

Isso sugere que o vírus "possivelmente foi introduzido no Rio de Janeiro durante o VI Campeonato Mundial de Canoagem, em agosto de 2014, ao qual compareceram equipes de quatro países do Pacífico (Polinésia francesa, Nova Caledônia, Ilhas Cook e Ilha de Páscoa), nos quais o vírus circulava".

Os pesquisadores ainda não confirmaram a rota exata e o momento em que o zika entrou na América Latina.

Um outro estudo publicado no mês passado, na revista Science, sequenciou o genoma de sete amostras do zika brasileiro, coletadas de março a novembro de 2015, e sugeriu que essa doença pode ter chegado inclusive antes, entre maio e dezembro de 2013, em um voo da Polinésia Francesa, ou do Sudeste Asiático.

As autoridades brasileiras notificaram o público sobre o vírus, pela primeira vez, em maio de 2015.

"Nossas descobertas mostram que o vírus zika circulava no Rio de Janeiro pelo menos cinco meses antes que as autoridades de Saúde anunciassem sua detecção", de acordo com o estudo realizado por Patricia Brasil da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A pesquisa se baseia em 346 pacientes que tiveram fortes eczemas entre janeiro e julho de 2015. Com amostras de sangue, os especialistas confirmaram a presença do zika em 119 casos. Ninguém havia viajado recentemente, o que mostra que as infecções foram locais.

Pelo menos 11% dos casos foram diagnosticados antes de maio de 2015, quando se notificou o vírus Zika pela primeira vez no nordeste do Brasil.

Isso põe em xeque a teoria de que o vírus entrou no Brasil pelo nordeste e, de lá, espalhou-se pelo restante do país, acrescentaram os pesquisadores.

AFP