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(10 out) Partidários da independência da Catalunha ouvem o discurso do presidente regional, Carles Puigdemont, em Barcelona

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O cientista político espanhol Oriol Bartomeus, professor de ciência política na Universidade Autônoma de Barcelona, ​​acredita que uma suspensão da autonomia da Catalunha por Madri poderia provocar "um fortalecimento do grupo separatista e do desejo de independência".

Pergunta: O que fizeram exatamente o presidente regional Carles Puigdemont e seus aliados separatistas na terça-feira (10) no Parlamento catalão?

Resposta: Não se sabe muito bem! Eles fizeram uma declaração unilateral de independência, mas ao mesmo tempo a congelaram, e na realidade não o fizeram porque o Parlamento não votou (...) Na verdade, o presidente e o governo catalães tentaram satisfazer às diferentes facções do bloco que defende a independência (...) que não querem a mesma coisa: uma parte defende uma declaração unilateral de independência (DUI) a qualquer preço e outra parte, que teme as consequências inevitáveis, prefere esperar.

Eles enviaram uma mensagem dupla: no bloco de independência, para aqueles que temiam muito o DUI, disseram 'muito bem, não assumimos' e para a comunidade internacional e a União Europeia eles disseram que o governo catalão está pronto para negociar.

P: Qual foi a resposta do chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy?

R: Puigdemont lançou a bola para o campo do governo de Rajoy e o governo espanhol enviou-a de volta. Rajoy foi ponderado nesta quarta-feira da mesma forma que Puigdemont o foi na terça-feira.

O tempo morto pedido pelos separatistas, Rajoy de alguma forma assumiu. Mas força Puigdemont a especificar o que fez e o coloca em uma situação difícil: satisfazer um dos dois grupos que compõem o bloco de independência e não o outro.

Rajoy ganha tempo e volta a colocar Puigdemont contra a parede.

P: Qual seria o efeito na Catalunha de uma suspensão de sua autonomia?

R: O governo poderia assumir as competências da região autônoma, incluindo o controle da polícia autônoma e até mesmo dissolver o Parlamento regional e organizar novas eleições.

Mas a suspensão da autonomia provocaria uma reação bastante forte da população catalã em defesa de suas instituições.

Isso poderia levar a um fortalecimento do grupo separatista, do sentimento de independência, e os independentistas sabem muito bem disso.

Se o governo decidir suspender a autonomia da região e prender o presidente catalão, isso pode até levar a choques violentos, com cidadãos contra as forças de ordem.

Há também a hipótese de que uma parte ou a totalidade da polícia autônoma catalã se coloque ao lado do governo catalão e das instituições catalãs. Isso poderia levar a um choque entre as forças policiais, que responderiam cada uma a um governo diferente: entraríamos em um cenário absolutamente indescritível, do qual não sei onde isso nos levaria.

(Entrevista por Guillaume Bonnet e Laurence Boutreux)

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AFP