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Dezenas de pessoas, entre elas um oficial de alto escalão do Exército tailandês, foram declaradas culpadas, nesta quarta-feira, de tráfico de seres humanos

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Dezenas de pessoas, entre elas um oficial do alto escalão do Exército tailandês, foram declaradas culpadas, nesta quarta-feira, de tráfico de seres humanos por sua participação em uma grande rede regional que explorou milhares de migrantes.

Este caso, denunciado há anos pelas ONGs, ficou conhecido internacionalmente em maio de 2015 após encontrarem fossas comuns em acampamentos de trânsito para migrantes na selva tailandesa.

A repressão posterior desorganizou as filiais e levou os traficantes a abandonar no mar milhares de migrantes de Bangladesh e muçulmanos rohingyas de Mianmar.

Depois de mais de um ano e meio de julgamento, o tribunal começou a pronunciar, nesta quarta, as condenações uma a uma durante horas, sem ditar - por enquanto - nenhuma pena.

As 102 pessoas podem enfrentar acusações de tráfico de seres humanos, pedidos de resgate e homicídio, pelas quais alguns poderiam ser condenados à morte.

Suspeito de ser o eixo central do tráfico, o general Manas Kongpan "trabalhou com outros para facilitar o tráfico de seres humanos e utilizou a sua posição para permitir a saída de rohingyas do território pedindo o pagamento de resgate", disse um dos juízes.

Esta importante figura do aparato de segurança no sul do país, que ascendeu na época em que o atual chefe da junta Prayut Chan-O-Cha dirigia as Forças Armadas, negava todas as acusações.

Também foi considerado culpado de "participar de uma organização criminosa".

Na rede estavam envolvidos inúmeros funcionários - soldados e policiais -, além de políticos como o prefeito de Pedang Besar e alguns rohingyas que trabalhavam como intérpretes.

A junta militar tailandesa, preocupada com a reputação do país como plataforma de tráfico de seres humanos, quis fazer deste julgamento um exemplo de sua determinação para lutar contra as redes de traficantes.

Mas os defensores dos Direitos Humanos criticaram as tentativas de intimidação de testemunhas e as restrições de acesso às visitas impostas à imprensa.

Para Amy Smith, de Fortify Rights, este julgamento é "crucial e não tem precedentes". Mas a "Tailândia tem ainda muito a percorrer para garantir a Justiça a milhares de homens que foram explorados, torturados e assassinados".

AFP