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Teerã liberta pesquisadora anglo-australiana em troca de três iranianos

Imagem de Kylie Moore-Gilbert fornecida pela televisão estatal iraniana Irib afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 26. novembro 2020 - 13:21
(AFP)

A pesquisadora anglo-australiana Kylie Moore-Gilbert, condenada a dez anos de prisão por espionagem a favor de Israel, foi libertada pelo Irã, onde passou mais de dois anos presa.

Em contrapartida, a Tailândia enviou nesta quinta-feira (26), para Teerã, três iranianos que mantinha presos.

Após passar mais de 800 dias presa, esta especialista do Oriente Médio reconheceu que sua saída do Irã tem um sabor "agridoce", apesar das "injustiças" sofridas.

"Vim ao Irã como amiga com boas intenções", afirmou em um comunicado publicado pelo governo australiano nesta quinta-feira, no qual homenageia os "iranianos cordiais, generosos e corajosos". A pesquisadora também ficou contente com o fim de um "teste longo e traumático".

Sua família e amigos também manifestaram em um comunicado o grande alívio após as primeiras imagens da televisão iraniana que mostravam a jovem após sua libertação.

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison, que falou com a pesquisadora, celebrou sua libertação. "É uma pessoa extraordinariamente forte, inteligente e corajosa, capaz de superar este martírio", declarou ao canal de televisão Channel 9.

"Um empresário e (outros) dois cidadãos iranianos presos no exterior (...) foram liberados em troca da espiã com dupla nacionalidade que trabalhava" para Israel, informou o site da rede Iribnews.

A informação foi confirmada pela administração penitenciária em Bangcoc, explicando que dois dos iranianos foram soltos, e o terceiro já se beneficiou de um indulto em agosto.

Um vídeo mostrou os três homens sendo recebidos com honra pelo vice-chanceler iraniano, Abas Araghchim. Eles são Mohamad Khazaei, Masud Sedaghat Zadeh e Saeed Moradi, que estavam detidos na Tailândia após uma tentativa frustrada de assassinato de diplomatas israelenses em 2012.

- "Nunca fui uma espiã" -

"Uma boa notícia vinda do Irã não é muito frequente", reagiu a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional no Twitter após a libertação da pesquisadora. "É um grande alívio ouvir sobre sua libertação", acrescentou.

Moore-Gilbert, professora de estudos islâmicos na Universidade de Melbourne (Austrália), foi detida em 2018, após participar em uma conferência em Qom, no centro do Irã. Foi acusada de espionagem e condenada a dez anos de prisão.

Nas cartas escritas na prisão e publicadas em janeiro pelos jornais "The Guardian" e "Times", a acadêmica contou que rejeitou uma oferta dos iranianos para espionar para eles.

"Não sou uma espiã. Nunca fui espiã", escreveu.

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