Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Estela de Carlotto, presidente da organização humanitária argentina Avós da Praça de Maio, é vista em 6 de agosto de 2014

(afp_tickers)

A organização humanitária argentina Avós da Praça de Maio passou a receber uma avalanche de telefonemas de pessoas com dúvidas sobre sua identidade, depois que a presidente dessa ONG, Estela de Carlotto, encontrou seu neto, em um caso símbolo da ditadura (1976-83).

Por mais de 36 anos, Estela de Carlotto procurou pelo neto, que agora se chama Guido Montoya Carlotto, depois que a identidade do pai também foi confirmada.

Com isso, as consultas por telefone sobre identidade, ou para dar informações sobre casos suspeitos, passaram de uma média de 15 por dia para cerca de 300 esta semana.

Uma funcionária da organização contou que a ONG, que tem três filiais em Buenos Aires, está inclusive com problemas para se comunicar entre os diferentes departamentos da entidade, devido ao congestionamento das linhas.

O caso de Guido "disparou o número de chamadas de uma forma extraordinária", contou à AFP a secretária do Centro de Atenção pelo Direito à Identidade, Marisa Salton.

"Nos oito anos em que trabalho nas Avós, aconteceu algo similar apenas duas vezes, embora dessa vez tenha sido mais intenso", disse Marisa, acrescentando que a grande maioria dos telefonemas é de pessoas com dúvidas sobre sua identidade, ou para denunciar casos que merecem ser investigados.

Criado por um casal do interior com o nome de Ignacio Hurban, o neto de Carlotto é o 114º recuperado pela entidade, que nunca desistiu da busca das cerca de 400 crianças roubadas durante a ditadura na Argentina.

Há menos de três semanas, esse músico profissional decidiu se submeter, de forma voluntária, ao teste de DNA por dúvidas que ainda não foram esclarecidas publicamente.

Guido foi levado por um membro das forças repressivas, que depois o entregou à família que viria a criá-lo. Estela Carlotto não identificou o homem que levou o menino.

Outras crianças roubadas foram criadas como filhos biológicos por policiais e militares e até pelos torturadores de seus próprios pais.

AFP