Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

(Arquivo) O presidente Michel Temer espera, nesta semana, enterrar sua segunda denúncia criminal, que está nas mãos da Câmara dos Deputados

(afp_tickers)

Impopularidade recorde e graves acusações de corrupção: a combinação que faria tremer o mais experiente dos políticos não amedronta o presidente Michel Temer, que espera, nesta semana, enterrar sua segunda denúncia criminal, que está nas mãos da Câmara dos Deputados.

Com um Congresso dominado por seus aliados, o governo espera ganhar com folga a votação que decidirá na quarta-feira (25) se a denúncia da Procuradoria-geral da República (PGR) por associação criminosa e obstrução da Justiça que pesam contra Temer deverão ser analisadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), ou congeladas até o fim de seu mandato.

Há dois meses, o presidente conseguiu vencer a primeira acusação - por corrupção passiva - e salvou o seu mandato por um ampla maioria de votos de uma Câmara também sob suspeita: dos 513 deputados, 185 são objeto de investigações por corrupção.

"Temer representa a sobrevivência política do velho establishment. Se hoje Temer cai, quem cairá amanhã?", questiona o professor de Direito Constitucional Daniel Vargas.

"Temer é um profissional da política. Sabe manipular a máquina e encontrar os aliados de que precisa", acrescenta.

Temer, de 77 anos, assumiu o poder em 2016 após o impeachment de Dilma Rousseff. Desde então, este veterano da política conseguiu se manter de pé, apesar dos escândalos que forçaram a renúncia de vários de seus ministros, e impulsionar ajustes reivindicados pelo mercado como estratégia para tirar o país da recessão.

Seus adversários o acusam de usar dinheiro público para comprar o apoio de parlamentares, concedendo generosas subvenções para realizar obras em seus estados.

"Apesar de todo esse desgaste do governo, ainda é vantajoso para esses parlamentares, que gostam de receber uma atenção especial", explica Antonio Augusto de Queiroz, analista do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP).

Mas o apoio pode custar caro.

- Popularidade próxima a zero -

Primeiro presidente em exercício na história do Brasil a ser denunciado por um ação penal, Temer também é o chefe de Estado mais impopular desde o retorno à democracia em 1985, com apenas 3% de aprovação.

Com a proximidade das eleições gerais, em outubro de 2018, apoiar o impopular presidente não parece ser a melhor estratégia para se manter no cargo.

No entanto, muitos veem com maus olhos a opção de derrubar um governo depois de um traumático processo de impeachment que dividiu o país e paralisou o Congresso durante meses.

Em nome dessa estabilidade, reivindicada também pelo mercado, os deputados o salvaram em agosto da primeira denúncia da PGR por corrupção passiva, e tudo indica que voltarão a fazê-lo.

E Temer, que anunciou que não será candidato à Presidência em 2018, está disposto a sacrificar a sua popularidade para concluir seu plano de ajustes.

"Temer simplesmente não se importa com o que a população pensa dele", resume Daniel Vargas.

"Talvez seja a primeira vez na história do Brasil que descobrimos que para implementar sua agenda, talvez melhor do que ter uma popularidade alta, é ter uma popularidade zero", ironiza.

- Apoio do mercado -

Livrar-se da segunda denúncia esta semana abriria o caminho para concluir a tempo o seu programa de reformas com as quais prometeu "recolocar o Brasil nos trilhos": sanear as contas públicas e reavivar uma economia que lentamente está saindo dos dois anos de recessão.

Entre elas, a mais esperada pelo mercado, está a reforma do sistema previdenciário, que endurece as condições de aposentadoria e gera forte resistência inclusive da base aliada.

Para Queiroz, o apoio do mercado é crucial. "Sem o apoio do mercado, ele cai em uma semana", analisa. "Então ele faz tudo que o mercado quer. É um instrumento".

A oposição, muito dispersa, já não reúne multidões nos protestos contra o governo.

"Sem a pressão das ruas e na ausência de um verdadeiro projeto de oposição, o Parlamento não será pressionado a votar contra Temer", avalia Vargas.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP