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O presidente Michel Temer durante um discurso em São Paulo, em 30 de maio de 2017

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O presidente Michel Temer enfrenta na próxima semana mais uma ameaça a seu frágil governo: o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da chapa que o elegeu como vice de Dilma Rousseff por abuso de poder econômico e financiamento ilegal de campanha.

O processo, que até pouco tempo parecia condenado ao fracasso, ganhou relevância após a divulgação de uma gravação, há duas semanas, na qual o presidente conversa com um empresário sobre a suposta compra do silêncio de um ex-deputado preso e sobre o pagamento de suborno a um procurador.

A gravação, feita pelo próprio empresário, foi entregue à justiça como parte de um acordo de "delação premiada".

Os apelos pela renúncia de Temer e os pedidos de impeachment se multiplicaram, e apesar de o presidente ter conseguido um fôlego nos últimos dias, sua delicada situação faz com que o país se volte para o TSE, que julgará o caso entre os dias 6 e 8 de junho.

Para Fernando Schüler, cientista político do Instituto de Investigação e Educação (Insper), trata-se de uma "coincidência histórica".

"É apenas uma coincidência histórica E eticamente condenável, mais por outro lado é vaga. Em Brasília não há um convencimento generalizado que o presidente cometeu um delito grave. Há gente que acha e outros que não. O julgamento do TSE não é um julgamento político, é um equívoco achar isso. O sistema político até gostaria que fosse e especula (...), mas acho que o tribunal vai reagir fortemente contra qualquer tipo de ingerência política. Não e um impeachment".

Caso o TSE decida contra Temer, deverá definir se o presidente sai imediatamente ou permanece na presidência até o julgamento do recurso, que certamente chegará ao Supremo Tribunal Federal (STF), podendo retardar uma definição por várias semanas, segundo especialistas.

Se Temer cair, caberá ao Congresso eleger o novo presidente, no prazo de 30 dias, para completar o mandato presidencial até o final de 2018.

- Adiamento -

O julgamento começou no dia 4 de abril, mas foi interrompido para dar mais prazo à defesa e citar novas testemunhas ligadas ao escândalo de subornos envolvendo a Petrobras, que teria abastecido a campanha da chapa Dilma/Temer com somas astronômicas.

A possibilidade de o processo ser retardado é real, admitiu à AFP um jurista que segue a situação de perto. Esta situação ajudaria Temer, que age para controlar o escândalo provocado pela gravação, que chegou ao Supremo.

O TSE substituiu dois de seus membros durante a gestão de Temer e muitos acreditam que haverá um "pedido de vista", o que retardará uma decisão por tempo considerável.

O presidente do TSE, Gilmar Mendes, reagiu acidamente aos boatos sobre manobras para beneficiar Temer: "Em um julgamento complexo é normal pedir vista e se alguém fizer isto não será um pedido do Planalto (...). O TSE não é um brinquedo nas mãos do governo".

O julgamento no TSE é para muitos um atalho para se evitar cenários mais críticos, como uma denúncia contra Temer no Supremo.

"As provas são grandes, são muito graves (...) então é uma alternativa possível sim de uma saída institucional, legitima e tranquila. É uma alternativa viável", disse à AFP Silvana Batini, procuradora da República.

- Paradoxo -

A denúncia afirma que a chapa Dilma/Temer superou o gasto permitido, usou a máquina estatal a seu favor e recebeu doações ilegais.

Paradoxalmente, a ação foi movida pelo PSDB, cuja chapa Aécio Neves/Aloysio Nunes foi derrotada por estreita margem por Dilma/Temer.

No final, tudo se resume em saber se o TSE acabará com a presidência de Temer e o Brasil terá mais um governo de transição, o segundo em 13 meses.

O professor Schüler acredita que isto não será necessário: "Temer tem todas as condições de sobreviver. Depois do escândalo, o governo ganhou várias votações no Congresso. O que não tem é popularidade. É um governo de transição, e para ser um governo de transição tem condições para sobreviver (...). Temer tem base no Congresso, as expectativas econômicas são boas, a oposição é muito frágil e não tem movimentos de rua".

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AFP