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O presidente interino Michel Temer, em Brasília, no dia 18 de maio de 2016

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O presidente interino Michel Temer nomeou nesta quinta-feira para a presidência da Petrobras Pedro Parente, ex-CEO da gigante do agronegócio Bunge Brasil e ex-ministro no governo de Fernando Henrique Cardoso.

"Pedro Parente assumirá a presidência da ", escreveu Temer em sua conta no Twitter.

Parente, de 63 anos, foi chefe da Casa Civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) entre 1999 e 2003 e também esteve à frente das pastas do Planejamento e das Minas e Energia.

Ele tem quatro filhos e foi casado três vezes.

"Com plena convicção e decidido a entrar de cabeça, corpo e alma neste desafio (...) Sem dúvida, refleti muito porque é uma mudança na vida que estava levando até agora, estou consciente da responsabilidade", disse em coletiva de imprensa, em Brasília.

Com a nomeação de Parente, Temer tenta tirar a Petrobras do maior escândalo de corrupção de sua história, revelado em 2014 e que custou bilhões de reais em prejuízos.

O esquema, em que grandes empresas pagaram por anos propinas a executivos da companhia e a políticos em troca de contratos com a estatal, atingiu em cheio o PT de Lula e de Dilma Rousseff e seu então aliado, o PMDB de Temer.

A Petrobras era comandada por Aldemir Bendine, que assumiu o cargo em fevereiro de 2015, em meio à tempestade provocada pela revelação do enorme esquema de corrupção.

Dilma foi afastada da Presidência para ser submetida ao processo de impeachment no Senado para determinar se é culpada da suspeita de manipulação de contas públicas nas chamadas "pedaladas fiscais".

"Ministro do apagão"

Parente ganhou o título de "ministro do apagão" quando foi afastado temporariamente da Casa Civil para se ocupar da "câmara de gestão da crise de energia", que gerenciou os racionamentos elétricos na crise de 2001/2002.

A entidade foi criada para enfrentar a emergência elétrica, que levou à necessidade de cortes programados de luz.

A crise teve como pano de fundo uma forte seca, que afetou a geração hidrelétrica, e a falta de planejamento e investimentos no setor, que também passava por um processo de privatização.

O governo foi surpreendido pela necessidade de reduzir o consumo em 20% em todo o país, e os cortes tiveram um enorme impacto na economia.

Segundo o Tribunal de Contas, os apagões provocaram perdas ao Tesouro de 45,2 bilhões de reais.

Da chefia da Casa Civil à presidência da gigante do agronegócio Bunge Brasil, Parente tem mais de 30 anos de serviço no funcionalismo público e no setor privado.

Executivo do agronegócio

Engenheiro da Universidade de Brasília (UnB), Parente também tem uma sólida carreira no setor privado, um motivo pelo qual sua nomeação é vista com bons olhos pelo mercado.

Depois de trabalhar como vice-presidente-executivo do grupo de mídia RBS, foi contratado como presidente da filial brasileira da gigante do agronegócio Bunge, igualmente por sua experiência no setor público e privado.

Nos quatro anos em que esteve à frente da Bunge Brasil, Parente dirigiu uma reforma que "produziu impactos transformadores", segundo o CEO mundial da empresa, Soren Schroder.

"Ele realizou uma ampla reestruturação nas operações do Brasil, construiu uma equipe de líderes de alto desempenho e multiplicou os resultados das atividades de agronegócio e alimentos neste período (...). Pedro deixou uma Bunge unificada, simplificada e focada", destacou Schroder na nota que anunciou a aposentadoria de Parente, em 2014.

As qualidades que o descrevem como executivo serão chave na Petrobras, que além do escândalo do Petrolão, também atravessa uma reestruturação iniciada na gestão de Bendine.

O plano, anunciado em janeiro, contemplava uma redução de 30% nos 5.300 cargos administrativos para simplificar a operação da empresa.

Parente retorna assim ao Rio de Janeiro, onde nasceu, para gerenciar desta vez o apagão da maior empresa do país.

AFP