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(17 mai) Manifestação em Brasília contra Temer

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O presidente Michel Temer tentava nesta quinta-feira segurar seu mandato e manter o curso das reformas de austeridade, apesar de novas acusações de corrupção que podem agravar a crise política e econômica do país.

O país acordou na incerteza, enquanto a Polícia Federal realizava operações desde as primeiras horas da manhã em Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A grave crise política é acompanhada de uma recessão histórica, que o atual governo tento reduzir por meio de medidas de austeridade impopulares, incluindo a reforma do sistema previdenciário, cuja aprovação pelo Parlamento corre o sério risco de ser freada por este novo escândalo.

Temendo um possível movimento de pânico dos investidores, o Banco Central publicou nesta quinta-feira um comunicado no qual garante "acompanhar a situação e agir para manter o bom funcionamento dos mercados".

De acordo com o jornal O Globo, os donos do frigorífico JBS, Joesley e Wesley Batista, gravaram o presidente concordando com o pagamento de subornos para comprar o silêncio de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, atualmente preso por envolvimento no mega-escândalo da Petrobras.

Numa gravação de março, Joesley diz a Temer que pagava a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: "tem que manter isso, viu?".

Estas revelações tiveram o efeito de uma bomba atômica, com muitos partidos da oposição exigindo a renúncia imediata do presidente e dezenas de manifestantes marchando pelas ruas entoando "Fora Temer".

Atingida pela crise e uma taxa de desemprego acima de 14%, a população está exasperada com os inúmeros escândalos envolvendo toda a classe política, incluindo vários ministros do governo Temer.

As operações de busca e apreensão da PF e do Ministério Público Federal visavam particularmente ​​várias propriedades do senador Aécio Neves, candidato derrotado na última eleição presidencial frente a Dilma Rousseff, também alvo de uma gravação comprometedora citada por O Globo.

De acordo com a imprensa, o seu mandato no Senado foi suspenso pelo Supremo Tribunal e a Procuradoria Geral solicitou sua prisão. Sua irmã já foi detida em Belo Horizonte, de acordo com o site de notícias G1.

Joesley Batista entregou às autoridades uma outra gravação em que Aécio Neves pede 2 milhões de reais em propina.

O jornalista que obteve o furo, Lauro Jardim, disse à rádio CBN que não ouviu pessoalmente as gravações, mas que teve acesso a "uma descrição mais detalhada possível". Segundo ele, foram apresentadas às autoridades como parte de um acordo de delação premiada.

A empresa JBS esteve envolvida em março no escândalo da carne adulterada. Maior exportador mundial de carne, o Brasil enfrentou um embargo total ou parcial de vinte países, com duras negociações para obter a reabertura progressiva dos mercados.

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AFP