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Partidários do presidente Nicolás Maduro participam de manifestação, em Caracas, no dia 22 de junho de 2016

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A oposição venezuelana denunciou nesta terça-feira a perseguição e detenção de seus dirigentes na véspera da sua grande marcha para exigir um referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, que por sua vez os acusou de buscarem desatar a violência para dar um golpe de Estado.

Os chavistas se manifestaram maciçamente nesta terça-feira em uma contraofensiva. Ante uma multidão na Plaza Caracas, no centro da capital venezuelana, o presidente acusou a oposição de planejar um golpe de Estado e ameaçou mandar seus dirigentes para a prisão se eles incitarem atos de violência na manifestação de quinta-feira.

"Há que se derrotar o golpe de Estado sem impunidade. Quem se envolver no golpe, ou estimular a violência, vai preso, cavalheiro. Chorem ou gritem, serão presos!", advertiu Maduro.

Em meio à detenção de alguns dos seus dirigentes, a opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) denunciou uma "escalada repressiva" do governo antes do que chama de a "Tomada de Caracas", com a qual na quinta-feira pedirá a aceleração do processo do revogatório ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), que acusa de servir ao chavismo.

"Que ninguém se deixe intimidar", conclamou o líder opositor Henrique Capriles, que em entrevista à AFP assegurou que tem início agora uma nova etapa de mobilizações para obrigar o governo a aceitar o referendo.

Tanto o governo quanto a oposição têm trocado acusações nos últimos dias sobre atiçarem a violência nas manifestações, aumentando o temor na população de ocorrerem incidentes.

Alguns comércios no leste de Caracas, que a MUD previu como pontos de chegada de opositores de várias cidades do país, planejam fechar na quinta-feira.

"Vou ao protesto, porque o país está mal e temos que nos pronunciar", disse à AFP María Rodríguez, que vendia biscoitos a um pedestre em seu quiosque.

Imersa em uma profunda polarização política, a Venezuela sofre uma grave crise econômica com a escassez de produtos básicos que chega a 80% e uma inflação que foi de 180% em 2015, a mais alta do mundo, e que segundo o FMI chegará a 720% esse ano.

"Nem que prendam todos nós"

Deputados da maioria opositora no Parlamento denunciaram nesta terça-feira a "perseguição política" contra dirigentes da MUD. A oposição assegura que o governo está "amedrontando" seus seguidores para evitar que se manifestem.

"Vê-se uma aumento seletivo no isolamento de dirigentes" da MUD, assegurou nesta terça-feira o chefe parlamentar e anti-chavista Henry Ramos Allup.

As autoridades venezuelanas mandaram à cadeia, no sábado, o ex-prefeito opositor Daniel Ceballos, que estava em prisão domiciliar há um ano, acusando-o de planejar sua fuga e preparar atos violentos para quinta-feira.

Na segunda-feira, detiveram em Caracas o opositor Yon Goicochea, acusado de portar detonadores para explosivos que segundo o governo seriam usados no protesto. A oposição rejeitou as acusações. Nesta terça-feira, a MUD denunciou também a detenção do líder opositor Carlos Melo.

"Nem se prenderem todos nós irão evitar que as pessoas saiam para lutar por uma mudança democrática, eleitoral e pacífica", expressou o deputado opositor Tomás Guanipa, que acusou o governo de "plantar" provas contra Goicochea.

O Sindicato dos Jornalistas denunciou um ambiente difícil para a imprensa. Pessoas não identificadas lançaram, nesta terça-feira, bombas incendiárias contra o jornal El Nacional, de linha opositora, enquanto jornalistas da emissora árabe Al Jazeera, que viajaram até a Venezuela para cobrir o protesto, não obtiveram permissão de entrada ao chegar no aeroporto.

A Igreja Católica venezuelana pediu nesta terça que o governo respeite "o direito legítimo" à manifestação.

"Não vão entrar"

Ante as denúncias da oposição de que as autoridades estão impedindo a chegada de seus seguidores à capital, o dirigente chavista Jorge Rodríguez sentenciou nesta terça-feira, na manifestação, que no centro de Caracas os opositores "não vão entrar".

"Presume-se atos de violência e desestabilização (...) Quando uma manifestação se transforma em violenta, esse direito se perde", advertiu o ministro do Interior, o general Néstor Reverol, que analisa o dispositivo de segurança com chefes policiais.

O secretário-executivo da MUD, Jesús Torrealba, confirmou que a marcha opositora vai encher "de ponta a ponta" três grandes eixos viais da capital - a avenida Rio de Janeiro, a avenida Libertador e a avenida Francisco de Miranda - e que acontecerá das 08h às 14h locais (de 09h às 15h de Brasília).

Em plena tensão, chegaram a Caracas o ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o ex-presidente panamenho Martín Torrijos, integrantes de uma missão de mediação para um diálogo entre o governo e a oposição.

Com a sua marcha, a MUD exigirá ao CNE a data exata e as condições da coleta de quatro milhões de assinaturas necessárias para convocar o referendo.

Mas Socorro Hernández, reitora do CNE, confirmou que a oposição poderá coletar as assinaturas na semana de 24 a 30 de outubro.

Depois disso, há um prazo de um mês para verificar as assinaturas e um máximo de três meses para organizar a consulta, o que afasta a possibilidade de que esta ocorra até o final de 2016.

A oposição busca que o revogatório seja realizado ainda neste ano para que sejam convocadas eleições, porque se a consulta ocorresse após 10 de janeiro de 2017 e Maduro perdesse, seu vice-presidente completaria os dois anos restantes do seu mandato.

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AFP