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(Arquivo) Washington enviou um porta-aviões e sua frota para a região

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O presidente americano, Donald Trump, advertiu nesta terça-feira (11) que está disposto a "resolver o problema" da Coreia do Norte de forma unilateral, em meio a demonstrações de poder entre Washington e Pyongyang, provocando tensões no leste asiático.

No fim de semana, os Estados Unidos enviaram um conjunto aeronaval para a península da Coreia, incluindo o porta-aviões "USS Carl Vinson", como um sinal de sua força, levando a Coreia do Norte a declarar que está "disposta a reagir diante de qualquer tipo de guerra que os Estados Unidos desejem".

"Isto demonstra que os movimentos insensatos dos Estados Unidos de invadir a República Popular Democrática da Coreia alcançaram uma fase séria", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Norte, segundo a agência de notícias estatal KCNA.

Uma série de recentes testes de mísseis norte-coreanos alimentou os temores de Washington de que Pyongyang possa ter pronto um míssil balístico intercontinental capaz de descarregar uma ogiva nuclear sobre território americano.

Nessas especulações, considera-se também que a Coreia do Norte possa realizar um teste nuclear para comemorar o 105º aniversário de seu fundador, Kim Il-Sung, no sábado.

- Coreia do Sul alerta sobre 'provocação'

O primeiro-ministro sul-coreano e presidente interino, Hwang Kyo-ahn, alertou nesta terça sobre o risco de uma "grave provocação" da Coreia do Norte, que também poderá ocorrer em 25 de abril, durante o aniversário da criação de seu Exército.

"Existe a possibilidade de a Coreia do Norte fazer provocações mais graves, como um novo teste nuclear, para comemorar diferentes aniversários", declarou Kyo-ahn durante uma reunião do governo.

As tensões coincidem nesta terça-feira como uma sessão da Assembleia Legislativa norte-coreana, que se reúne uma ou duas vezes por ano para votar o orçamento do Estado e ratificar as decisões tomadas pelo Partido Único da Coreia do Norte.

Pyongyang quer desenvolver um míssil de longo alcance capaz de chegar aos Estados Unidos com uma ogiva nuclear e até agora já realizou cinco testes desse tipo, dois deles no ano passado.

A análise de imagens de satélite sugere que eles estão preparando um sexto teste, enquanto a Inteligência americana adverte que o regime pode estar a menos de dois anos de atingir a capacidade de atacar o continente americano.

O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, H.R. McMaster, disse no domingo (9) que Trump pediu "uma gama completa de opções para eliminar esta ameaça".

Em sua advertência, o presidente americano reiterou a decisão de agir sem a ajuda da China, principal aliado da Coreia do Norte, após um encontro com seu homólogo chinês, Xi Jinping, na última quinta e sexta-feiras em sua residência particular na Flórida.

"A Coreia do Norte busca problemas. Se a China decidir ajudar, isso será genial. Caso contrário, resolveremos o problema sem eles!", tuitou Trump.

O presidente dos Estados Unidos pareceu relacionar as negociações comerciais entre as duas primeiras potências econômicas mundiais com a questão norte-coreana: "Expliquei ao presidente da China que um acordo comercial com os Estados Unidos será muito melhor para eles se resolverem o problema norte-coreano!".

O porta-voz da Casa Branca assinalou que esse movimento "dá opções ao presidente na região [coreana]".

"Acredito que, quando vemos um porta-aviões cruzar a região, a simples presença se torna, obviamente, um grande impedimento", afirmou Sean Spicer.

As tensões aumentaram desde o ataque aéreo executado pelos Estados Unidos na Síria, na semana passada, como uma forma de punir o governo de Bashar al-Assad pelo suposto ataque com gás sarin contra civis.

Lançado enquanto Trump jantava em sua casa de Mar-a-Lago com o presidente Xi Jinping, esse ataque também foi uma mensagem clara a Pyongyang.

"Faremos o mais duro contra-ataque para nos defendermos dos provocadores com a poderosa força das armas", respondeu o porta-voz da Chancelaria norte-coreana.

"Tornaremos os Estados Unidos plenamente responsáveis pelas consequências catastróficas que suas atrozes ações suporão", acrescentou.

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