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Voluntários ajudam socorristas (D) em busca por vítimas soterradas em prédio que desabou após terremoto de magnitude 7,1

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Já removidos os escombros causados no México pelo violento terremoto de 19 de setembro, outras feridas se abrem: as da negligência das autoridades, sob a sombra da corrupção, e a da desconfiança dos mexicanos com seus governantes.

O terremoto, que matou 338 pessoas, foi marcado por casos como o desabamento de uma escola onde 19 crianças e 7 adultos morreram. Agora, as autoridades envolvidas fogem das responsabilidades relacionadas à segurança da construção.

Cerca de 1.800 edifícios na capital sofreram danos significativos ou graves, enquanto a imprensa local informou que o governador de Morelos, o segundo estado com mais vítimas, teria desviado ajuda destinada às vítimas.

Contudo, especialistas destacam que, ao contrário do terremoto de 19 de setembro de 1985, que devastou a capital e matou mais de 10 mil pessoas, desta vez o Estado mexicano se apresentou, atuando lado a lado de milhares de cidadãos que apoiaram os trabalhos de resgate. Além disso, desta vez, os edifícios públicos não sofreram grandes danos.

Embora ainda não haja uma contagem oficial, cerca de sete prédios de apartamentos novos, alguns entregues aos seus donos este ano, desabaram ou se tornaram inabitáveis, revelando as flagrantes violações das regras de construção da cidade e a voracidade das empresas do setor da construção civil.

"Milhares de famílias vão ficar na rua porque alguém não supervisionou adequadamente ou alguém recebeu dinheiro para não fazê-lo", disse à AFP Max Kaiser, diretor do setor de combate à corrupção do Instituto Mexicano para a Competitividade, IMCO.

De acordo com a prefeita de Tlalpan, onde a escola está localizada, o prédio foi declarado "estruturalmente seguro" em 2014, com uma certificação oficial por cinco anos, mas esclareceu que a aprovação foi concedida pela prefeitura da capital, que por sua vez rejeita qualquer responsabilidade.

"Nós não estamos salvando a cara de ninguém, o que mostramos é o que é", disse a prefeita Claudia Sheinbaum, que deve ser candidata à prefeitura em 2018, a uma rádio local.

Francisco Fontana, um historiador de 30 anos e vizinho da escola, afirmou à AFP que um dos edifícios foi fechado desde a sua inauguração, mas que, apesar do impedimento municipal, continuava a receber estudantes.

"Nós não sabemos se houve suborno, mas nunca houve mudanças na estrutura", garante Fontana.

- Corrupção oculta -

Para Mariana Campos, especialista em gastos públicos e responsabilidade na organização México Evalúa, a corrupção no momento da construção é claramente um fator a considerar para explicar como os edifícios que pareciam resistentes desmoronaram.

Ela cita o caso do edifício no bairro de Roma com o maior número de vítimas na capital mexicana.

"Não era visto como um edifício que poderia cair. Via-se um prédio bonito, bem mantido. Mas (a deficiência) não é visual e isso facilita a corrupção", aponta Campos à AFP.

Outro desafio se perfila: que o uso de recursos para a reconstrução dos imóveis seja fiscalizado.

O trabalho envolve "desafios gigantes relativos ao risco de corrupção ao longo do caminho", acrescenta Kaiser.

O presidente Enrique Peña Nieto, que apresentou na quarta-feira seu programa de reconstrução, convidou o setor privado a estabelecer um fórum de coordenação para otimizar o destino dos recursos coletados pela sociedade civil.

"Não queremos que o governo federal gerencie os recursos privados (...) mas o governo quer orientar o destino desses recursos", disse o presidente em reunião com representantes de governos locais e empresas privadas.

- Estado sim, políticos não -

Cerca de 37 bilhões de pesos (US$ 2 bilhões) irão para a reconstrução, somando números preliminares anunciados por Peña Nieto que incluem não apenas os danos causados ​​pelo terremoto na semana passada, mas também os de outro terremoto, o de 7 de setembro, que afetou Chiapas e Oaxaca (sul).

Dada a grandeza dos recursos em jogo, os especialistas enfatizam a necessidade de um aparato de auditoria, bem como uma política transparente para a tomada de decisões e o destino da ajuda.

Mas o desastre também trouxe lições positivas. A devastação do terremoto demonstrou que o Estado possui instituições sólidas, como as Forças Armadas, a Polícia e a Defesa Civil.

Para Kaiser, aqueles que não distinguiam bem a utilidade das instituições do Estado, receberam uma amostra "muito pedagógica" sobre a necessidade de preservá-las e protegê-las.

"As instituições não são descartáveis, mas um político inútil sim, um político que não é bom e que eu posso jogar fora", concluiu.

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AFP