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Foto cedida em 29 de março de 2017 pelo jornal The Lancet mostra o americano Bill Kochevar, de 56 anos, se alimentando sozinho

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Uma década depois de que um acidente de bicicleta o deixou tetraplégico, um americano conseguiu voltar a se alimentar sozinho, em um caso inédito na medicina, pesquisadores relataram na quarta-feira.

O avanço depende de uma prótese que contorna sua lesão medular, usando fios, eletrodos e um software para restabelecer a ligação entre o cérebro e os músculos, de acordo com um estudo publicado na revista médica The Lancet.

"Que saibamos, este é o primeiro caso no mundo de uma pessoa com paralisia grave e crônica usando diretamente sua própria atividade cerebral para mover seu próprio braço e mão para realizar movimentos funcionais", disse à AFP o autor principal do estudo, Bolu Ajiboye, da Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos.

O único paciente do estudo, Bill Kochevar, de 56 anos, tem dois conjuntos de pequenos eletrodos implantados cirurgicamente em sua cabeça para ler seus sinais cerebrais, que são interpretados por um computador. Este então envia instruções para os músculos, através de eletrodos colocados no braço.

Após cerca de dez anos de paralisia, Kochevar pôde beber café, coçar o nariz e comer purê de batata em testes laboratoriais.

Para superar a gravidade que o impedia de levantar o membro, Kochevar usa um suporte móvel, que também está sob o controle do seu cérebro.

A prótese ainda é experimental, mas os pesquisadores esperam que seu trabalho um dia ajude as pessoas com paralisia a fazerem tarefas diárias por conta própria.

- 'Revolucionário, mas' -

Enquanto os cientistas não encontram uma maneira de reparar as lesões da medula espinhal que provocam paralisia, eles estão desenvolvendo maneiras de reconectar o cérebro aos músculos do corpo.

Tentativas anteriores também usaram próteses. Uma delas, revelada no ano passado, envolvia o uso de eletrodos na pele que ajudaram um americano, Ian Burkhart, com uma paralisia menos grave a abrir e fechar a mão, disseram os autores.

Outros métodos permitem que os participantes controlem um braço robótico usando seus pensamentos.

Kochevar começou a aprender a usar a prótese praticando com uma simulação de um braço que aparecia em uma tela. De lá, ele rapidamente progrediu para usar sua mente para dirigir os movimentos do seu braço.

Mas a tecnologia tem limitações. Entre elas, Kochevar precisa olhar para seu braço o tempo todo para controlá-lo, visto que, devido à paralisia, ele perdeu o senso intuitivo dos movimentos e da localização do membro.

Ainda há muito trabalho a ser feito antes de que esta prótese possa ser amplamente utilizada.

"Este estudo é revolucionário", escreveu Steve Perlmutter, da Universidade de Washington, em um comentário sobre o caso. "No entanto, o tratamento está longe de estar pronto para ser usado fora do laboratório".

Para isso, o sistema precisaria de melhorias, como torná-lo sem fio e aumentar a longevidade e a eficácia dos implantes cerebrais, disse Ajiboye.

Enquanto isso, esta tecnologia poderia vir a "se tornar o padrão de cuidados clínicos para pessoas com paralisia crônica e completa", ressaltou.

AFP