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Mais de 20 pessoas ficaram feridas. As vítimas vão dos 5 aos 72 anos

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Um homem abriu fogo neste domingo (5) em uma igreja do Texas e matou 26 pessoas que acompanhavam o culto, em um dos mais violentos ataques com arma na história recente dos Estados Unidos.

O presidente Donald Trump, atualmente em uma visita pela Ásia, chamou o ataque de "espantoso tiroteio" e um "ato de maldade", mas voltou a descartar que o acesso às armas nos Estados Unidos represente um problema.

"Eu penso que a saúde mental é o problema aqui. Este era - baseado em informações preliminares - um indivíduo muito perturbado", afirmou durante uma entrevista coletiva em Tóquio, primeira escala de sua viagem à Ásia.

"Esta não é uma questão de armas", insistiu, antes de citar um "problema de saúde mental no mais alto nível".

O massacre aconteceu apenas cinco semanas depois do ataque em Las Vegas, o tiroteio com o maior número de mortos registrado no país com 58 vítimas fatais, o que reativou mais uma vez o debate sobre a legislação do porte de armas nos Estados Unidos.

No domingo às 11h20 locais (15h20 de Brasília), um "jovem homem branco na casa dos 20 anos, vestido totalmente com roupas pretas, armado com um fuzil e usando um colete à prova de balas, abriu fogo na Primeira Igreja Batista de Sutherland Springs", uma localidade rural, afirmou Freeman Martin, diretor regional do Departamento de Segurança Pública do Texas.

Ele prosseguiu com o massacre dentro da igreja, em pleno serviço religioso, antes de ser atacado por um morador que retirou o fuzil dele. O atirador conseguiu fugir, mas foi encontrado morto dentro de seu veículo pouco depois.

As autoridades não sabem se o criminoso cometeu suicídio ou se alguém atirou nele.

Embora ainda não tenha sido confirmado pelas autoridades, a imprensa americana identificou o atirador como Devin Patrick Kelley, um ex-militar de 26 anos, que teria sofrido uma baixa desonrosa da Força Aérea depois de ter sido submetido a uma corte marcial em 2014.

Ainda de acordo com a imprensa, ele morava a 50 quilômetros de San Antonio, uma das grandes cidades do Texas.

"Até o momento, 26 vidas foram perdidas. Não sabemos se o balanço aumentará, ou não", afirmou o governador do Texas, Greg Abbott.

"Estamos lidando como o maior tiroteio em massa na história do nosso estado. Há tantas famílias que perderam seus familiares. Pais, mães, filhos e filhas", lamentou Abbott.

Mais de 20 pessoas ficaram feridas. As vítimas vão dos 5 aos 72 anos.

- 'Ato de maldade' -

Favorável ao porte de armas de fogo, Trump não se arriscou nesta segunda-feira a debater o tema, limitando-se a prometer "total apoio" de seu governo ao "grande estado do Texas e a todas as autoridades locais que investigam este crime horrível".

"Estamos com o coração partido. Nos reunimos, unimos nossas forças (...) Através das lágrimas e nossa tristeza permanecemos fortes", disse o presidente em Tóquio.

"Nos faltam palavras para expressar a pena e a dor que sentimos", completou.

Mais cedo, já havia se manifestado pelo Twitter: "Que Deus esteja com o povo de Sutherland Springs, Texas. O FBI & agências da lei estão na cena. Estou monitorando a situação do Japão".

Como em tiroteios anteriores, os democratas renovaram os pedidos por um controle e uma legislação das armas de fogo, uma tema complexo em um país que considera quase sagrado o direito ao porte de armas.

Denunciando um "ato de ódio", o ex-presidente Barack Obama declarou: "Que Deus conceda a todos nós a sabedoria para perguntar que medidas concretas podemos tomar para reduzir a violência e as armas entre nós".

"Não estou apenas triste, estou furiosa", reagiu a senadora democrata Elizabeth Warren.

- Debate sobre armas -

Em 1º de outubro, os Estados Unidos tiveram o pior tiroteio de sua história recente, quando um homem atirou a esmo de um quarto de hotel de Las Vegas, Nevada. Matou 58 pessoas e feriu cerca de 550 das 22 mil que assistiam a um show de música country ao ar livre.

O autor dessa tragédia, o aposentado Stephen Paddock de 64 anos, cometeu suicídio após os disparos. Ele conseguiu levar um verdadeiro arsenal para o quarto onde se encontrava instalado, no 32º andar do hotel Mandalay Bay.

O grupo Estado Islâmico (EI) reivindicou o ataque, mas os investigadores não encontraram elementos que permitam sustentar essa hipótese e ainda desconhecem as motivações de Paddock.

O tiroteio no Texas não foi o primeiro em um templo religioso. Em junho de 2015, Dylann Roof, um supremacista branco, matou nove pessoas na igreja de Emanuel, em Charleston (Carolina do Sul), símbolo da luta dos negros contra a escravidão. Em janeiro deste ano, ele foi condenado à pena de morte em janeiro.

Todos os anos, mais de 33.000 pessoas morrem nos Estados Unidos vítimas das armas de fogo, de acordo com um estudo recente. Desse total, 22.000 são casos de suicídios.

O debate sobre a regulamentação das armas é relançado a cada tragédia, sem que a legislação seja modificada.

Parte da explicação está na influência e na pressão exercidas pela Associação Nacional do Rifle (NRA, na sigla em inglês), o poderoso lobby das armas nos EUA.

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AFP