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Israelenses se reúnem em um protesto que pede o fim do lançamento de foguetes de Gaza em direção a Israel, em Tel Aviv.

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A trégua estava sendo respeitada nesta quinta-feira entre Israel e o Hamas, após temores provocados por disparos de foguetes e ataques aéreos durante a noite.

O frágil cessar-fogo quase foi rompido, como todos os anteriores, com novos disparos de foguetes contra Israel e ataques aéreos no enclave durante a noite, até o anúncio da extensão por cinco dias da trégua, que tem sido respeitada por ambos os lados desde segunda-feira.

Os ataques foram interrompidos à 00h00 GMT (19h00 de terça-feira em Brasília), e Gaza voltou a uma aparente vida normal, apesar do zumbido constante de drones israelenses e da devastação.

Mohammed Ibrahim, morador de Shajaya - subúrbio leste da cidade de Gaza -, não esconde seu ceticismo em relação aos altos e baixos das negociações e das seguidas tréguas efêmeras.

"Este cessar-fogo é um absurdo. Queremos estabilidade aqui, não ter que partir e voltar, dormir uma noite aqui e no dia seguinte em outro lugar. Como você pode ver, a minha casa está destruída, as nossas vidas estão destruídas", lamenta.

Do lado israelense, pelo menos 10 mil pessoas se reuniram em Tel Aviv, de acordo com a imprensa, sob o lema "O Sul (cidades fronteiriças de Gaza) se recusa a silenciar", para exigir do governo uma solução duradoura para o conflito com o Hamas.

"A operação pode ter acabado, mas a guerra continua para nós", explica Adi Hamari, morador de Kibbutz Nirim, na fronteira com Gaza, que voltou para casa depois de um mês de exílio.

'Parar de brincar com as palavras'

Enquanto as negociações prosseguem no Cairo, o Exército israelense se diz pronto para qualquer eventualidade, "porque as operações ainda não foram concluídas".

Mas, apesar das declarações de ambos os lados, o mediador egípcio anunciou na quarta-feira uma prorrogação de cinco dias do cessar-fogo. A partir de então, israelenses e palestinos deixaram o Cairo. Os palestinos anunciaram que estarão de volta na noite de sábado.

O Egito, que não mantém boas relações com o Hamas, tenta fazer com que os dois lados em conflito, com demandas irreconciliáveis, cheguem a ​​um compromisso para acabar com o ciclo de violência na fronteira.

Os líderes egípcios pedem aos palestinos a desmilitarização do território palestino, enquanto querem que os israelenses suspendam o bloqueio imposto por Israel há sete anos aos 1,8 milhão de habitantes de Gaza. Essas duas condições são impostas pelas partes para que as hostilidades tenham fim.

Khalil al-Haya, um membro do gabinete político do Hamas, reiterou nesta quinta-feira as exigências dos palestinos: "a suspensão definitiva e permanente do bloqueio" e uma abertura para o mar.

No entanto, ele ressaltou que não há "chances reais de se chegar a um acordo", acrescentando que isso significaria para "o inimigo parar de brincar com as palavras". Em várias ocasiões, os palestinos alegaram que as negociações tinham fracassado por causa de uma reformulação de última hora operada pelos israelenses.

As duas partes têm até terça-feira à 00h01 para negociar.

O gabinete de segurança do governo israelense se reúne nesta quinta à noite em Tel Aviv para discutir o prosseguimento da operação e as negociações em curso no Cairo.

Novas discussões em um mês?

Israelenses e palestinos podem estar avançando em direção a um compromisso que daria à Autoridade Palestina a responsabilidade por futuras negociações e sobre as fronteiras de Gaza.

De acordo com um documento ao qual a AFP teve acesso, os egípcios propõem um alívio imediato ao conflito: depois da obtenção de um cessar-fogo permanente, eles pedem novas discussões mais aprofundadas em um mês. Em seguida, deverão ser discutidos os principais pontos de atrito: a abertura de um porto e de um aeroporto, e a devolução dos corpos de dois soldados israelenses mortos pelo Hamas em troca da libertação de prisioneiros palestinos.

O Cairo também propõe que a zona-tampão ao longo da fronteira entre Gaza e Israel seja gradativamente diminuída e colocada sob a supervisão das forças de ordem da Autoridade Palestina. Quanto ao levantamento do bloqueio, o documento egípcio é vago, indicando apenas que os postos de passagem fechados seriam reabertos nos termos de um acordo entre Israel e a Autoridade Palestina.

AFP