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Rodrigo Janot, no Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, no dia 7 de fevereiro de 2017

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A megaoperação "Lava Jato" completa três anos nesta sexta-feira ameaçada por manobras de políticos que, cada vez mais, se sentem encurralados e procuram formas de se proteger.

“Temos boa parte do Legislativo e do Executivo contra a Lava Jato", alertou o Procurador Regional da República, Carlos Fernando Lima, durante coletiva convocada em Curitiba para fazer um balanço dos três anos da operação.

Ex-presidentes, senadores, deputados, executivos de empresas estatais e empresários fazem parte da longa lista de investigados, em julgamento ou presos, por sua participarem do esquema do Petrolão.

Em seu capítulo mais recente, a Procuradoria-Geral pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de 83 novos inquéritos contra políticos com foro privilegiado, uma ação sem precedentes que ameaça praticamente toda a classe política.

Os pedidos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, são baseados nas delações de 77 executivos e ex-executivos da Odebrecht sobre os subornos pagos a líderes políticos em troca de favorecimento da empreiteira e de contratos com empresas públicas.

Embora a identidade dos envolvidos nesta nova etapa ainda esteja sob segredo, a imprensa relatou que pelo menos seis ministro do governo de Michel Temer aparecem na lista, incluindo o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e chanceler Aloysio Nunes, além dos presidentes da Câmara e do Senado.

De acordo com estas informações, também estão na lista os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

- Salve-se quem puder -

Diante da enxurrada de processos que se aproxima, juristas, ONGs e alguns opositores denunciam que o Congresso esteja preparando novas iniciativas para anistiar crimes ligados ao financiamento de campanhas, como já havia acontecido no fim do ano passado.

"Essa anistia ao Caixa 2 representa a lógica do salve-se quem puder e como puder", afirmou nesta sexta-feira nas redes sociais o deputado Ivan Valente, do PSOL.

Os procuradores denunciam uma tentativa, por parte dos políticos, de minimizar seus atos argumentando que as doações não contabilizadas são "uma prática comum" e constituem um crime menor, quando na realidade são frequentemente utilizados para encobrir ações mais graves, como corrupção e lavagem de dinheiro.

A organização Vem Pra Rua convocou manifestações em todo o país para 26 de março, com o objetivo de denunciar essas tentativas.

Para o procurador Carlos Fernando Lima, "basta uma noite no Congresso para que toda a investigação caia por terra". "Temos que manter a atenção", adverte.

- Condenações somam 1.300 anos de prisão -

As condenações já ditadas pela justiça comum contra empresários, ex-parlamentares e operadores financeiros já somam mais de 1.300 anos de prisão.

O Supremo Tribunal tramita atualmente cinco processos contra políticos pela Lava Jato, de um total de 20 denúncias feitas pela Procuradoria neste âmbito. Fontes próximas ao caso preveem uma onda de denúncias nos próximos meses, depois que o STF autorizar os novos pedidos de investigação.

A Lava Jato acabou com "a impunidade nos círculos de poder no Brasil e fez o diagnóstico de uma corrupção historicamente enraizada", considerou o procurador da República Deltan Dallagnol.

Entretanto, para ee seria um engano acreditar que a investigação resolverá todos os problemas. "Depois de três anos, é necessário que a população insista em iniciativas de renovação política e em reformas no sistema político e na justiça" para que o Brasil se torne um país menos corrupto, concluiu.

AFP