Um tribunal saudita adiou nesta quarta-feira uma importante audiência no julgamento de 11 mulheres defensoras dos direitos humanos, poucos dias depois do anúncio de novas detenções que receberam críticas internacionais.

Onze mulheres, entre elas a militante Lujain al Hathlul, que acusou os homens que a interrogaram de abuso sexual e tortura, durante o ano em que permaneceu detida, são julgadas por contatos com a imprensa estrangeira, diplomatas e organizações de defesa dos direitos humanos.

Um painel de três juízes de um tribunal penal de Riad deveria responder nesta quarta-feira aos argumentos da defesa apresentados no início do mês.

Mas nesta quarta-feira a polícia bloqueou a entrada dos jornalistas e diplomatas no tribunal e anunciou o adiamento da audiência.

Nenhuma explicação foi apresentada.

"Soubemos que o julgamento não aconteceu hoje por razões que não conhecemos", escreveu no Twitter a organização ALQST, com sede em Londres e que atua na área de direitos humanos na Arábia Saudita.

As potências ocidentais pressionam as autoridades de Riad para libertar as ativistas, várias delas detidas há quase um ano no âmbito de uma campanha de repressão que antecedeu o fim histórico da medida que proibia que as mulheres dirigissem.

No início de abril, as autoridades prenderam nove escritores, estudantes universitários e blogueiros, incluindo duas pessoas com dupla cidadania saudita-americana, que se posicionaram a favor das ativistas.

Na semana passada, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, afirmou que pressionou o reino saudita a libertar os cidadãos americanos.

Pompeo, que habitualmente demonstra prudência a respeito da Arábia Saudita, país aliado dos Estados Unidos, afirmou que conversou com autoridades sauditas "sobre cada americano que sabemos que estão detidos por erro".

As autoridades sauditas não fizeram nenhuma declaração sobre as detenções.

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