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O ator russo Konstantin Khabenski, que interpreta o papel de Leon Trotsky, durante a apresentação da série "Trostki" no Mipcom, em Cannes, em 17 de outubro de 2017

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Cem anos depois da Revolução Bolchevique, a televisão russa exibirá uma série sobre uma de suas figuras mais controversas, Leon Trotski, fundador do Exército Vermelho, assassinado por agentes de Stalin no México.

A rede pública russa Pevry Kanal transmitirá no início de novembro os oito episódios de "Trotski", apresentada esta semana durante o Mipcom, o mercado internacional de conteúdos audiovisuais, que acontece em Cannes.

"É a primeira série dedicada a Trotski na história da Rússia", ressaltou Konstantin Ernst, diretor-geral da Pevry Kanal, no Mipcom, onde se reuniu com potenciais compradores, como a americana Netflix.

"Ao contrário de Lenin, Trotski se parecia com um herói do Rock and Roll: fuga da prisão, revolução, amor, exílio e morte", destacou.

Brilhante orador e teórico marxista, Leon (Lev, em russo) Trotski foi um dos principais instigadores, junto com Lenin, da Revolução de Outubro de 1917.

Também foi o fundador do Exército Vermelho e um dos artífices do primeiro plano da vitória dos bolcheviques na guerra civil russa de 1918-1921.

Trotski se opunha a Stalin, que fez com que ele fosse expulso do governo e do Partido Comunista e, depois, da União Soviética.

O exilado acabou se instalando no México, em 1937, onde um agente de Stalin o assassinou em 1940.

Durante os expurgos estalinistas dos anos 1930, ser acusado de trotskista equivalia a uma morte certa.

"É difícil ser objetivo cem anos depois, mas tentamos produzir uma série fundamentada em acontecimentos reais", assegurou o produtor da série, Alexandre Tsekalo, contatado pela AFP por telefone.

"Trotski desempenhou um papel sangrento e importante na revolução russa", ressaltou.

- Mudança de nome -

Interpretado pelo popular ator russo Konstantin Khabenski, um Trotski envelhecido conversa, no primeiro episódio, com um jornalista canadense em sua casa do México. Trata-se, na verdade, do espião espanhol Ramón Mercader, enviado por Stalin para assassiná-lo.

A série mostra, em seguida, sua juventude na cidade de Odessa, atualmente na Ucrânia, onde havia uma importante comunidade judia.

Lá, o protagonista da história decidiu mudar seu sobrenome Bronstein por Trotski, que era o do guarda de prisão que lhe espancou em sua juventude.

A "mensagem" da série, segundo Alexandre Tsekalo e Konstantin Ernst, é que "não se deve forçar as pessoas a ir para as ruas" e que "toda revolução significa derramamento de sangue".

Uma mensagem que é compatível com a linha oficial do Kremlin, reticente a comemorar o centenário da Revolução de Outubro de 1917 por sua animosidade contra os movimentos populares.

"O Estado não participa na comemoração do centenário, só assiste", destaca Nikita Petrov, da associação Memorial. "A mensagem do Kremlin é que todas as revoluções são ruins, principalmente as financiadas por estrangeiros".

Na série "Trotski", o Ocidente desempenha um papel essencial na revolução, propondo financiar os revolucionários.

Em um cena ambientada em Paris em 1902, o teórico marxista russo Alexandre Parvus fala com um espião alemão, que lhe pergunta quanto dinheiro é necessário para "destruir" a Rússia com uma revolução. "Um bilhão de marcos", responde Parvus.

A cena relata "um fato bem documentado", assegura Alexandre Tsekalo. O Ocidente queria destruir a Rússia porque esta "estava se transformando em um país capitalista forte".

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AFP