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O presidente americano, Donald Trump, em Washington DC, em 15 de maio de 2017

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu ao então chefe do FBI, James Comey, demitido na semana passada, que "abandonasse" uma investigação sobre seu ex-assessor de segurança nacional Michael Flynn, revela The New York Times nesta terça-feira.

Este pedido do presidente, que consta de um memorando confidencial de Comey citado pelo jornal, representa uma interferência direta em uma investigação em curso e possível obstrução à Justiça.

Michael Flynn "é um bom sujeito, espero que possa abandonar" esta investigação, teria dito Trump a Comey durante uma conversa no Salão Oval da Casa Branca, no dia 14 de fevereiro, destaca The York Times.

"Espero que possa haver uma forma de deixar passar isto, de livrar Flynn", pediu Trump, segundo o documento.

Flynn foi obrigado a se demitir no dia 13 de fevereiro por omitir os repetidos contatos que manteve com o embaixador russo em Washington no ano passado, durante os quais abordou as sanções americanas a Moscou.

O ex-assessor de segurança nacional também é objeto de uma investigação do Pentágono sobre valores recebidos de empresas ligadas ao governo russo.

Segundo The New York Times, Comey adquiriu o hábito de redigir memorandos sobre as conversas com Donald Trump diante das "tentativas impróprias do presidente de influenciar em uma investigação em curso".

A Casa Branca reagiu afirmando que "o presidente jamais pediu a Comey ou a qualquer outra pessoa que encerrasse uma investigação, inclusive sobre o general Flynn".

As anotações de um agente do FBI são geralmente consideradas pela Justiça como provas de que uma determinada conversa aconteceu efetivamente.

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