O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai adiar por até seis meses sua decisão de tarifar automóveis, uma política que pode afetar particularmente União Europeia (UE) e Japão - anunciou a Casa Branca nesta sexta-feira (17).

"O processo de negociação será comandado pelo representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Robert Lighthizer, e, se não se alcançar um acordo em 180 dias, o presidente determinará se é necessário adotar ações adicionais", afirmou a Casa Branca em um comunicado à imprensa.

Hoje, depois do anúncio de Trump, a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström, manifestou a vontade da União Europeia de negociar um "acordo comercial limitado, incluindo os automóveis".

"Rejeitamos completamente a ideia de que nossas exportações de automóveis são uma ameaça para a segurança nacional", frisou Malmström.

Já o ministro alemão da Economia, Peter Altmaier, saudou a decisão de Washington, o que permite evitar "um agravamento do conflito comercial".

Trata-se de um "sinal importante para a economia alemã e europeia", avaliou o ministro Altmaier, em um comunicado.

"Estamos prontos, enquanto União Europeia, para negociar um acordo aduaneiro" que "reduzirá a zero as tarifas sobre os carros dos dois lados do Atlântico", acrescentou.

Trump tinha até sábado para anunciar se decidiria avançar com sua ameaça de fixar tarifas de 25% sobre carros importados, um cenário que preocupa seus parceiros de negócios.

O objetivo é claro: diminuir as importações de carros e peças automotivas estrangeiros e obter uma maior abertura dos mercados.

"Se tais acordos não forem concluídos nos 180 dias (...), o presidente seria, então, autorizado a tomar outras medidas que considere necessárias para ajustar as importações e eliminar a ameaça que os carros importados fazem pesar sobre a segurança nacional", afirma a Casa Branca.

A decisão de Trump ameaçava romper uma trégua declarada no ano passado com a Comissão Europeia, na qual ambos os lados concordaram em suspender as hostilidades, enquanto durassem os esforços para resolver as disputas comerciais.

- 'Vitais para a segurança nacional'

Estabelecer novas tarifas poderia prejudicar as já deterioradas relações comerciais de Washington com seus parceiros mais importantes, sobrecarregados com a decisão do ano passado de impor tarifas sobre o aço e o alumínio.

Para o presidente americano, a questão do déficit comercial representa um problema de segurança nacional.

"A superioridade militar e de defesa dos Estados Unidos depende da competitividade de sua indústria automotiva e da pesquisa e desenvolvimento que essa indústria gera", acrescentou a nota.

Segundo Trump, o setor automotivo americano enfrenta um declínio, devido à concorrência desleal do exterior.

Um relatório do secretário de Comércio, Wilbur Ross, concluiu que a cota minguante dos Estados Unidos no mercado automotivo mundial ameaça a pesquisa, o desenvolvimento e a indústria, que são "vitais para a segurança nacional".

Citando as conclusões de Ross, Trump afirmou que as importações dobraram nos últimos 34 anos. Ele acusou Europa e Japão de terem erguido barreiras contra as exportações.

Ao mesmo tempo, a fatia de mercado dos fabricantes americanos em seu próprio país caiu de 67% para 22%, acrescentou.

"Em vista de todos esses fatores, as condições domésticas para a concorrência devem ser melhoradas para reduzir as importações", insistiu Trump.

O diretor da Federação Industrial alemã, Dieter Kempf, rebateu a ideia de que os carros sejam "uma ameaça" para a segurança nacional dos EUA e pediu que o relatório de Ross seja tornado público.

"A incerteza criada pelo relatório é perigosa para os negócios e para a cadeia de valor transatlântica", alegou.

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