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Trump discursa na Assembleia Geral da ONU

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira, durante a 72ª Assembleia Geral da ONU, ameaças diretas aos que chamou de "Estados pária", em especial contra a Coreia do Norte, e reservou duras críticas ao governo da Venezuela.

Em seu primeiro discurso à Assembleia Geral, Trump defendeu que a ordem mundial deva estar apoiada em nações independentes e soberanas, utilizando uma retórica raramente vista em cenários que encarnam a visão global do multilateralismo e da diplomacia.

Em pouco mais de meia hora de discurso, Trump delineou a sua visão do estado atual do mundo e os desafios prioritários, e aproveitou para deixar no ar ameaças ao lembrar que a capacidade militar americana alcançará muito em breve o nível máximo de seu poderio.

De acordo com Trump, "regimes pária representados neste corpo não apenas apoiam o terror, como também ameaçam outras nações e o seu próprio povo com as mais destrutivas armas conhecidas pela humanidade", em uma clara referência à Coreia do Norte e ao Irã.

Com relação à Coreia do Norte, Trump advertiu que se a atual escalada de tensões - provocada pelos testes nucleares e de mísseis de Pyongyang - desembocar em um conflito aberto, o desafiador país asiático será "destruído".

"Os Estados Unidos têm um grande poder e paciência, mas se forem forçados a se defender e defender seus aliados, não teremos outra opção a não ser destruir totalmente a Coreia do Norte. O 'homem-míssil' está em uma missão suicida, para ele e para o regime", disse o presidente em referência ao líder norte-coreano, Kim Jong-Un.

- Divergências sobre o Irã -

Trump também insistiu que o Irã é um "Estado pária", conduzido por uma "ditadura corrupta" e insistiu em que o acordo multilateral assinado por Teerã por sua política nuclear é uma "vergonha".

Desde que chegou à Casa Branca, Trump deixou claro que está disposto a denunciar e abandonar o histórico acordo assinado por vários países e o Irã em 2015.

Nesse sentido, o presidente americano tem o firme apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, outro adversário de Teerã.

Netanyahu prometeu nesta terça-feira combater a "cortina iraniana" que desce sobre o Oriente Médio, e prometeu não permitir que Teerã estabeleça uma presença permanente na Síria.

"Do Mar Cáspio ao Mediterrâneo, de Teerã a Tartus, uma cortina iraniana está descendo por todo o Oriente Médio", disse Netanyahu em discurso à Assembleia Geral da ONU, em alusão à declaração feita pelo premiê britânico Winston Churchill sobre a existência de uma "cortinha de ferro", cunhando o termo usado para designar o bloco de países comunistas sob influência da antiga União Soviética.

Diversos líderes, no entanto, alertaram Trump sobre as consequências potencialmente catastróficas de quebrar o acordo.

O presidente do Irã, Hassan Rohani, disse nesta terça-feira que os Estados Unidos deixarão de ser "confiáveis" caso denunciem o acordo e se questionou: se isso realmente ocorrer, "que país estaria disposto a se sentar à mesa com os Estados Unidos e falar sobre temas internacionais?".

Pelo Twitter, o chanceler do Irã, Mohammad Javad Zarif, declarou que o discurso de Trump "não merece resposta". "O ignorante discurso de ódio de Trump pertence aos tempos medievais, não ao século XXI na ONU. Não merece resposta", publicou.

O presidente da França, Emmanuel Macron, por sua vez, disse que abandonar o acordo com o Irã seria um "erro grave".

"Nosso compromisso sobre a não proliferação permitiu obter um acordo sólido, firme, que permite verificar que o Irã não se dote de uma arma nuclear. Acabar com ele hoje, sem propor outra coisa, seria um grave erro, não respeitá-lo seria irresponsável, porque é um acordo útil", expressou.

- Preocupação com a Venezuela -

Diversos dirigentes também reservaram o dia para palavras de alerta sobre a situação na Venezuela.

Em seu discurso, Trump disse que em Caracas existe uma "ditadura socialista" e acrescentou que a situação no gigante petroleiro sul-americano "é completamente inaceitável. Não podemos ficar de fora e observar".

"Sentimos pela Venezuela", declarou o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, enquanto o presidente Michel Temer advertiu a Venezuela de que na América Latina não há lugar "para alternativas à democracia".

"Estamos ao lado do povo venezuelano", afirmou Temer.

Em um encontro com a imprensa na sede da ONU, o chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, repudiou as "ameaças" de Trump.

"Não aceitamos as ameaças do presidente Trump, nem as de ninguém neste mundo", disse Arreaza, que denunciou uma postura "racista e supremacista" por parte do chefe de Estado americano.

Em sua intervenção na Assembleia Geral, Santos agradeceu o apoio da ONU ao processo de paz negociado com a guerrilha das Farc, e anunciou que a organização verificará também o cessar-fogo e de hostilidades temporário alcançado com o outro grande grupo guerrilheiro, o ELN.

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AFP