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O presidente americano, Donald Trump

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O presidente americano, Donald Trump, continua a reforçar sua confiança na recuperação da economia dos Estados Unidos, mas os índices andam em marcha lenta, e o caminho à frente parece nebuloso.

"O mercado de ações está sempre em alta, desemprego no nível mais baixo em anos (os salários vão começar a subir) e a nossa base nunca esteve mais forte!", tuitou nesta semana o confiante presidente americano.

"Números ótimos de empregos e na economia! As coisas estão começando a despontar, e nós acabamos de começar!", publicou Trump na rede social na segunda-feira (3).

O presidente americano tem tido, de fato, bons resultados na Bolsa de Valores desde sua eleição. Os investidores comemoraram o novo ocupante da Casa Branca.

O índice industrial Dow Jones teve alta de 17,2% desde as eleições, em novembro passado, enquanto o S&P 500 subiu 13,7%, e o tecnológico Nasdaq avançou 18,4%.

As ações bancárias dispararam diante das promessas de que as regulações do setor, estabelecidas durante a crise econômica mundial de 2008, seriam flexibilizadas.

A taxa de desemprego está em apenas 4,3%, e o déficit comercial também vem caindo.

Mesmo assim, analistas dizem que Trump se beneficia de iniciativas da administração de seu antecessor, Barack Obama - sobretudo, as taxas de emprego, cujas bases foram criadas pelo democrata.

Especialistas também indicam que Trump não tem expressividade em termos de políticas, já que suas divulgadas reformas tributária e de gastos com infraestrutura ainda não saíram do papel.

Ao mesmo tempo, a prometida reforma do setor de saúde, que prevê um generoso corte de impostos para as classes mais ricas da sociedade americana, está lutando para ser aprovada no Senado - onde os republicanos são maioria.

"Eu diria que isso ainda é a recuperação de Obama. A substância não foi alterada, mas os mercados claramente estão de olho no que pode mudar", disse Joseph E. Gagnon, do Peterson Institute for International Economics.

- Redução da expectativa de crescimento

Trump assumiu o cargo depois de fazer duras críticas à política econômica de Obama, alegando que muitas pessoas foram deixadas de fora da recuperação. Ele prometeu acelerar o crescimento a 4%.

Recentemente, porém, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu sua expectativa de crescimento para os Estados Unidos, devido à ausência de detalhes sobre as propostas que haviam levado o organismo a aumentar sua estimativa em janeiro.

O FMI advertiu que as "importantes incertezas políticas" pesam sobre as perspectivas e voltou à projeção do ano passado, de que a economia americana terá expansão de 2,1% em 2017 e 2018. O prognóstico anterior era de 2,3% e 2,5%, respectivamente.

A instituição ainda questionou a promessa do governo de acelerar o crescimento a mais de 3%, objetivo mais modesto adotado pelo secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, que afirmou que alcançar essa meta vai levar tempo.

A experiência internacional e a história dos Estados Unidos mostram que apenas algumas economias têm crescimento dessa magnitude e, geralmente, somente depois de uma recessão com desemprego alto, afirmou o FMI.

Ainda que os níveis sejam saudáveis, as taxas baixas de desemprego costumam pressionar a inflação.

- Salários estagnados

As empresas têm relatado dificuldade para encontrar trabalhadores qualificados.

Os salários se mantêm estagnados, mas, se começarem a subir, poderiam também estimular a inflação, diminuir o lucro das empresas e concretizar o plano do Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) de aumentar a taxa de juros de referência, criando uma tendência a frear o crescimento.

As vendas de carros novos bateram recorde em 2016, mas caíram bruscamente nesse ano, enquanto a construção de casas e a compra de grandes produtos pelo consumidor enfrentaram altos e baixos.

Os índices de atividade dos setores industrial e de serviços seguiram crescendo, mas a indústria está preocupada com a falta de clareza sobre as políticas da administração atual.

O diretor do Comitê de Pesquisa de Negócios Manufaturados do ISM, Timothy R. Fiore, disse esta semana que a incerteza e as recorrentes ameaças de Trump sobre guerras comerciais pesam no panorama.

"Essa incerteza realmente não ajuda o meio empresarial", opinou.

AFP