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Vigília em frente à Casa Branca, em Washington, Estados Unidos, em 13 de agosto de 2017

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Dois dias depois dos distúrbios em um ato de supremacistas brancos nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump condenou de maneira enérgica nesta segunda-feira chamando grupos neonazistas e a Ku Klux Klan (KKK) de "repugnantes".

"O racismo é o mal", declarou o mandatário da Casa Branca. "E aqueles que provocaram a violência em seu nome são criminosos e bandidos, incluindo a KKK, os neonazistas, os supremacistas brancos e outros grupos que disseminam o ódio e são repugnantes a tudo que prezamos como americanos", completou.

Uma mulher de 32 anos morreu e outras 19 pessoas ficaram feridas ao serem atingidas por um veículo no sábado, em Charlottesville, na Virgínia, em meio aos confrontos de supremacistas brancos, entre os quais havia membros da KKK, com manifestantes contra o racismo.

Trump, criticado por democratas e republicanos de ser indulgente com a extrema direita por sua resposta indiferente, prometeu justiça e analisar o tema com o procurador-geral, Jeff Sessions, e o diretor do FBI, Christopher Wray.

"Seja quem for que tenha atuado criminalmente na violência racista deste final de semana será plenamente responsabilizado. A justiça será feita", afirmou.

Trump não tinha condenado abertamente os militantes de extrema direta em Charlottesville, alguns deles com bonés e camisetas com imagens do milionário.

O mandatário, que durante a campanha eleitoral recebeu apoio de proeminentes supremacistas brancos, tinha se limitado a culpar "ambas partes", em uma declaração no sábado em seu clube de golfe em Nova Jersey, onde estava de férias.

O Departamento de Justiça lançou uma investigação de direitos civis pelo incidente em que morreu Heather Heyer, de 32 anos. O motorista do veículo, James Fields, de 20 anos, continua preso após um juiz negar a sua liberdade sob fiança e enfrenta acusações de homicídio doloso.

- Simpatizante de Hitler -

O jovem morador de Ohio tinha posições "muito radicais" e simpatizava com Adolf Hitler, disse à imprensa local Derek Weimer, professor de Fields no Ensino Médio.

Este ataque "entra na definição de terrorismo interno em nosso estatuto", afirmou o procurador-geral Sessions à emissora ABC, considerando-o "inequivocamente [...] inaceitável e ruim", e assegurando que o governo apresentará as acusações mais graves possíveis.

Em Charlottesville, as autoridades continuavam recebendo relatos de agressões e outros crimes supostamente cometidos durante o fim de semana, disse em coletiva o chefe da polícia local, Al Thomas.

Dois policiais que participavam da operação de segurança em Charlottesville no sábado também faleceram, mas as mortes ocorreram por um acidente de helicóptero que os levava.

Entre os feridos, 10 continuavam hospitalizados sem risco de morte e nove tiveram alta, segundo informou o sistema de saúde da Universidade da Virgínia.

- Obama viral -

Enquanto em todo o país eram organizadas vigílias em solidariedade a Charlottesville, e a oposição democrata convocava todos a se pronunciar contra toda forma de racismo, uma mensagem de tolerância de Barack Obama se tornou a terceira mais popular na história do Twitter, com mais de dois milhões de curtidas, segundo o site Favstar.

"Ninguém nasce odiando outra pessoa por causa da cor de sua pele, por sua origem ou por sua religião", tuitou Obama, citando o falecido líder sul-africano Nelson Mandela.

A polêmica no entorno de Trump motivou nesta segunda-feira a renúncia de um importante executivo afrodescendente de seu posto de assessor econômico do presidente.

"Os líderes dos Estados Unidos devem honrar os nossos valores fundamentais ao rechaçar claramente as expressões de ódio, intolerância e supremacia, que vão contra o ideal americano de que todas as pessoas são criadas iguais", disse Kenneth Frazier, CEO do gigante farmacêutica americana Merck, ao anunciar a sua demissão.

"Como CEO da Merck e como uma questão de consciência pessoal, sinto a responsabilidade de tomar uma posição contra a intolerância e o extremismo", tuitou Frazier, recordando que a "força" dos Estados Unidos reside em sua "diversidade".

Trump não demorou a responder. Frazier "terá mais tempo para se dedicar a reduzir o preço totalmente abusivo dos medicamentos", escreveu.

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AFP