O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu nesta quinta-feira (13) a chuva de críticas recebidas por afirmar que voltaria a aceitar informação incriminatória sobre seus rivais políticos de parte de uma potência estrangeira.

"Chamar o FBI para falar dessas convocações e reuniões? Que ridículo! Ninguém confiaria nunca mais em mim", escreveu Trump em sua conta do Twitter.

"Minhas respostas completas nunca aparecem nos meios de comunicação de Notícias Falsas. Deliberadamente, deixam de fora as partes importantes", ressaltou.

Os tuítes de Trump se referem às críticas recebidas depois da transmissão de uma entrevista na rede ABC na quarta-feira à noite, em que Trump disse que voltaria a aceitar informação sensível de um oponente oferecida por um país como a Rússia.

"Acho que gostaria de escutar... Não há nada de mau em escutar", respondeu Trump ao ser perguntado sobre o que faria se recebesse uma oferta dessa natureza por parte da Rússia, ou da China.

Trump deu a entender que "talvez" avisasse ao FBI se "considerasse que algo é errado".

Quando o entrevistador da rede apontou que o diretor do FBI, Christopher Wray, disse recentemente que qualquer tipo de ingerência estrangeira em uma eleição americana deveria ser denunciada, Trump respondeu: "O diretor do FBI está errado".

As declarações de Trump alimentaram uma série de críticas com qualificativos como "vergonhoso", "chocante" e "um erro", tanto dos democratas favoráveis a um processo de impeachment como de seu próprio partido e aliados próximos.

"Todos neste país deveríamos estar completamente horrorizados", disse a líder democrata no Congresso, Nancy Pelosi.

O senador Lindsey Graham, um republicano que em geral se mantém alinhado com Trump, disse que o mandatário havia cometido "um erro". Ante qualquer oferta desse tipo oferecida por um país estrangeiro, apontou, "a resposta correta é 'não'".

Crítico habitual do presidente, o senador republicano Mitt Romney ressaltou que deveria ser "impensável" que qualquer candidato aceite esse tipo de informação.

No entanto, a adoção de um projeto de lei democrata para exigir aos candidatos que reportem qualquer tentativa de interferência estrangeira mas eleições naufragou no Senado, onde os republicanos têm maioria.

"Hoje caímos mais baixo do que nunca no Senado, no Partido Republicano e em nossa democracia", disse o líder da minoria democrata, Chuck Schumer.

"Que vergonha que nossos colegas republicanos estejam virando as costas quando sabem que o que Donald Trump faz está minando gravemente a democracia", lamentou.

"Fiz 150 campanhas e nunca aceitei informação comprometedora de NENHUM governo estrangeiro, muito menos um governo adversário", escreveu em sua conta do Twitter David Axelrod, que foi diretor de campanha de Barack Obama.

"Não façamos de conta que uma coisa assim é normal. Ou legal. Ou aceitável", frisou.

Suas declarações reavivaram a controvérsia sobre uma reunião na Trump Tower em junho de 2016, na qual estiveram presentes o assessor da Casa Branca e genro de Trump Jared Kushner, o então chefe de campanha de Trump, Paul Manafort, e uma advogada russa que ofereceu informação "suja" sobre a candidata democrata Hillary Clinton.

No Twitter, Trump argumentou que conversa com governos estrangeiros "todos os dias" e fala com eles sobre "todos" os temas, desviando a atenção da essência das críticas, que apontam seus vínculos com países que são considerados rivais perigosos dos Estados Unidos.

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