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O presidente francês, Emmanuel Macron, durante reunião com o presidente americano, Donald Trump, no Palácio do Eliseu, em Paris, em 13 de julho de 2017

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu nesta quinta-feira, em Paris, o seu filho, que está no olho do furacão por ter aceitado se reunir com uma advogada ligada ao Kremlin durante a campanha presidencial americana de 2016.

"No que concerne ao meu filho, meu filho é um jovem maravilhoso. Aceitou se reunir com uma advogada russa. Não com uma advogada do governo, mas com uma advogada russa", disse Trump sobre o escândalo que sacode Washington.

"Foi uma reunião curta". "Do ponto de vista prático, penso que a maioria das pessoas teria aceitado essa reunião", acrescentou o presidente em coletiva conjunta com seu contraparte francês, Emmanuel Macron.

Este escândalo sobre a suposta ingerência da Rússia nas eleições presidenciais americanas de 2016 poderia colocar em perigo a sua presidência.

Trump chegou a Paris nesta quinta-feira por convite do presidente Macron, em uma visita em que ambos os líderes enfatizaram a nova amizade e o vínculo "inquebrantável".

Macron estendeu o tapete vermelho para o presidente americano, com quem espera melhorar as relações e, inclusive, convencer a mudar de opinião sobre a saída do Acordo de Paris sobre o Clima.

Trump, que espera renegociar o acordo, disse de forma enigmática: "algo pode acontecer em relação ao Acordo de Paris", e acrescentou: "vamos ver o que vai acontecer".

A boa sintonia que exibiram durante esta coletiva contrasta com as relações transatlânticas desde a vitória de Trump.

Macron, que assumiu a presidência francesa há dois meses, disse que ansiava pelo "jantar entre amigos" nesta quinta à noite com o casal Trump e com sua esposa, Brigitte Macron, em um restaurante da Torre Eiffel.

O presidente dos Estados Unidos elogiou Macron, a quem chamou de "grande presidente" que "comandará bem este país".

"A amizade entre nossas duas nações e entre nós é inquebrantável", disse o magnata após conversar com seu contraparte no palácio presidencial, focando nos esforços entre Estados Unidos e França para combater o terrorismo no Oriente Médio e na África.

Macron advertiu na véspera da chegada de Trump que "o mundo ocidental está fissurado desde as eleições americanas" e que a ordem mundial estabelecida depois da Segunda Guerra Mundial está ameaçada.

- Estratégia de sedução -

Como parte da estratégia de sedução de Macron, Trump será o convidado de honra nas celebrações da festa nacional francesa de sexta-feira, que também comemorará o centenário da entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial.

Nesta quinta-feira, foi recebido com uma cerimônia solene no Palácio dos Inválidos, um complexo do século XVII criado para receber os feridos da guerra, onde visitou o túmulo de Napoleão.

Posteriormente, as duas primeiras-damas cumpriram uma agenda paralela, na qual visitaram a Catedral de Notre-Dame de Paris e realizaram um passeio de barco pelo rio Sena.

"Costumamos receber bem as pessoas que convidamos. Esperamos que esta visita corra bem", explicou o Eliseu, desmentindo a ideia de que o convite fosse uma carta branca para o imprevisível presidente americano.

- Uma estratégia desconhecida -

Donald Trump e Emmanuel Macron, aparentemente opostos, "têm muitas coisas em comum em sua forma de ver o mundo", estima um responsável americano. Segundo ele, existe "uma boa química" entre os dois.

"Mantêm uma relação de trabalho extremamente aberta, franca, mas também construtiva", declara uma fonte francesa.

Especialistas e diplomatas advertem, entretanto, sobre a total imprevisibilidade de Trump e as dificuldades de trabalhar diariamente com a administração americana desde que chegou à Casa Branca.

"É muito complicado jogar xadrez com um homem do qual se desconhece completamente a estratégia e cujo único postulado é a defesa do interesse nacional", analisou o especialista em Relações Internacionais, Bertrand Badie.

Para zelar pela segurança do casal Trump em uma França em estado de emergência após uma onda de atentados extremistas, as autoridades disponibilizarão um esquema de segurança extraordinário, com 11.000 policiais e gendarmes.

AFP