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(Janeiro) Kushner observa Trump na Casa Branca

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Uma inquieta Casa Branca se preparava nesta segunda-feira (29) para uma nova onda de questionamentos na investigação sobre a interferência russa nas eleições americanas, enquanto o presidente Donald Trump defendia seu genro e assessor Jared Kushner.

Trump visitou o Cemitério Nacional de Arlington pelo Memorial Day - dia em que se homenageia os americanos mortos em combate -, mas rapidamente teve de voltar sua atenção para o escândalo com a Rússia.

O presidente assegurou que tem "confiança total" em Kushner.

"Jared está fazendo um grande trabalho pelo país. É respeitado em quase todo o mundo e trabalha em projetos que economizarão bilhões de dólares para o país", declarou Trump ao jornal The New York Times no domingo à noite.

Kushner, de 36 anos, ficou em uma situação complicada depois que o jornal The Washington Post publicou que ele teria tentado estabelecer um canal secreto de comunicação com a Rússia durante o período entre a eleição de Trump em 8 de novembro e a sua posse em 20 de janeiro.

Casado com uma das filhas de Trump, Ivanka, Kushner se considera um dos conselheiros mais influentes do presidente.

O FBI e vários comitês legislativos estão investigando se houve algum tipo de complô entre a equipe de campanha de Donald Trump e a Rússia com o objetivo de influenciar a eleição presidencial, favorecendo o magnata republicano. As últimas acusações sobre Kushner atingem agora o círculo mais íntimo de Trump.

Segundo o Post, Kushner teria tentado estabelecer esse canal durante uma conversa com o embaixador russo em Washington, Serguei Kisliak, mas foi interceptado pelos Serviços Secretos americanos.

De acordo com a imprensa, este canal privilegiado nunca chegou a ser estabelecido.

Trump não se referiu diretamente a essa informação, mas disse que muitos dos vazamentos à imprensa são "mentiras fabricadas pela mídia".

Para alguns funcionários do governo, estabelecer contatos informais com Moscou não é um problema.

"Para mim, é normal e aceitável. Tudo o que pode ser feito para se comunicar com as pessoas, em especial com as organizações que não são particularmente amistosas conosco, é uma boa coisa", defendeu no domingo o secretário americano de Segurança Interna, o general reformado John Kelly.

Muitos especialistas em Inteligência discordam. O líder democrata do comitê de Inteligência da Câmara de Representantes, Adam Schiff, falou, inclusive, na possibilidade de retirar o acesso de Kushner às informações sigilosas.

- O esperado depoimento de Comey

Washington aguarda ansiosamente o depoimento no Senado do ex-diretor do FBI James Comey, que foi demitido por Trump enquanto investigava as relações entre a equipe de campanha do magnata e Moscou.

Este depoimento não tem uma data prevista, mas deve acontecer nos próximos dias.

De acord com a imprensa americana, Trump pressionou Comey, em reuniões e pelo telefone, para que deixasse de lado a investigação contra seu agora ex-conselheiro de Segurança Nacional Michael Flynn.

A Casa Branca nega, mas o ex-diretor do FBI diz ter memorandos sobre cada um desses encontros, os quais seriam uma prova da tentativa de obstrução à Justiça por parte de Trump.

O presidente se reuniu com seus advogados no domingo à tarde, aparentemente, para estabelecer uma estratégia diante da investigação em curso.

Segundo os jornais americanos, a Casa Branca está criando uma unidade especial de comunicação para responder a toda esta polêmica. Essa célula seria liderada por Kusher, pelo conselheiro presidencial Steve Bannon e pelo chefe de gabinete, Reince Priebus.

A investigação sobre a trama russa é comandada por Robert Mueller, um respeitado ex-diretor do FBI, que tem o poder de conduzir o caso como procurador especial.

Os comitês de Inteligência do Senado e da Câmara de Representantes também levam à frente suas próprias investigações, ainda que não tenham como finalidade retirar as acusações judiciais.

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