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Estátuas dos generais confederados Robert E. Lee e Thomas "Stonewall" Jackson são removidas de um parque em Baltimore, Maryland

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Em tom de desafio, o presidente Donald Trump ignorou as críticas que têm recebido por suas recentes declarações e afirmou que a remoção das estátuas dos heróis confederados está destruindo a cultura e a história americanas.

Sob uma saraivada de críticas tanto democratas quanto republicanas, Trump retomou o delicado tema racial sobre os monumentos de figuras ligadas ao movimento sulista pró-escravidão em uma série de tuítes que reforçam suas polêmicas declarações dos últimos dias.

A crise começou quando um protesto contra a retirada de uma estátua do general confederado Robert E. Lee resultou em distúrbios violentos, envolvendo supremacistas brancos e militantes antirrascismo no final de semana passado na cidade de Charlottesville, na Virgínia.

A partir disso, algumas cidades tomaram a decisão de retirar outras estátuas ligadas ao período confederado.

"Triste ver a história e a cultura de nosso grande país sendo destruídas pela remoção de nossas belas estátuas e monumentos", escreveu Trump no Twitter.

"Você não pode mudar a história, mas pode aprender com ela. Robert E Lee, Stonewall Jackson - quem é o próximo? Washington, Jefferson? Que tolice!", acrescentou.

"Também a beleza que está sendo tirada de nossas cidades e parques fará muita falta e nunca poderão ser comparavelmente substituídas!", insistiu.

Lee e Thomas "Stonewall" Jackson eram generais confederados, enquanto George Washington e Thomas Jefferson faziam parte dos chamados Pais Fundadores dos Estados Unidos.

Os críticos de Trump rapidamente reagiram e destacaram a diferença.

"Prezado @realDonaldTrump: Robert Lee e Stonewall Jackson não são a mesma coisa que Washington e Jefferson. Não posso acreditar que tive de escrever esta sentença", afirmou Ted Lieu, um congressista democrata da Califórnia.

O estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon, disse ao jornal The New York Times acreditar que a visão do presidente é compartilhada por muitos americanos.

"O presidente Trump, ao perguntar 'onde tudo isso termina? ' - Washington, Jefferson, Lincoln - visa a conectar o povo americano com sua história, cultura e tradições", explicou Bannon.

"A política de identidade racial da esquerda quer dizer que tudo é racista", criticou.

Uma pesquisa divulgada nesta quinta parece corroborar a opinião do presidente.

a pesquisa NPR/PBS NewsHour/Marist mostra que 62% dos americanos acreditam que as estátuas devem permanecer como símbolos históricos.

"Apenas 27% acham que devem ser retiradas", afirma a enquete.

E o mais surpreendente, 44% dos afro-americanos concordam que as estátuas devem permanecer onde estão, contra 40% que afirmam o contrário.

Entre os republicanos, a grande maioria votou a favor da manutenção das estátuas, contra apenas 6% contrários a elas.

Os democratas se mostraram mais divididos: 47% são a favor da remoção, 44% preferem que fiquem onde estão pelo bem da história.

- Imprensa que deturpa -

Trump também retomou nesta quinta um tema que é muito de seu agrado e voltou a criticar a imprensa por deturpar suas declarações sobre a violência registrada em Charlottesville.

"O público está vendo (mais uma vez) como as 'Fake News' são desonestas. Elas deturpam totalmente o que eu disse sobre ódio, preconceito etc. Que vergonha!", postou o presidente no Twitter.

Políticos tanto do Partido Democrata como Republicano criticaram a resposta inicial de Trump, que condenou a violência nos dois lados, e a consideraram inadequada.

Na segunda-feira (14), ele classificou os movimentos neonazistas da Klu Klux Klan como "repugnantes", mas, na terça, retornou à sua posição inicial e disse que os dois lados eram responsáveis pela violência do final de semana.

A dúbia condenação de Trump à extrema-direita racista desatou uma tempestade de críticas dentro e fora dos Estados Unidos.

O presidente também foi alvo de colegas de partido, os senadores Lindsey Graham, da Carolina do Sul, e Jeff Flake, do Arizona.

"Lindsey Graham, em busca de publicidade, afirmou falsamente que eu disse que há uma equivalência moral entre o KKK, neonazistas e supremacistas brancos... e pessoas como a senhora Heyer", afirmou Trump no Twitter.

Heather Heyer, 32 anos, foi morta no sábado, em Charlottesville, quando um supremacista branco atropelou intencionalmente um grupo de pessoas que protestava contra a passeata da extrema-direita.

"Isso é uma mentira nojenta", atacou.

Graham afirmou que Trump "deu um passo atrás ao sugerir que havia uma equivalência moral entre supremacistas brancos neonazistas e membros da KKK que participaram da passeata de Charlottesville e pessoas como Heyer".

Trump também não poupou Flake, um dos poucos republicanos abertamente críticos ao presidente.

"É ótimo ver que o dr. Kelli Ward está disputando de novo contra Jeff Flake, que é FRACO nas fronteiras, no crime e desnecessário no Senado. Ele é um lixo!", tuitou Trump.

Flake, que está disputando a reeleição, escreveu na quarta: "Não podemos dar desculpas para supremacistas brancos e atos de terrorismo doméstico. Devemos condenar. Ponto".

Até os ex-presidentes republicanos George H.W. Bush e George W. Bush, em um comunicado conjunto pouco comum, pediram aos americanos que "repudiem o racismo, o antissemitismo e o ódio em todas as suas formas".

E o antecessor democrata de Trump, Barack Obama, postou uma mensagem que, em pouco tempo, superou a marca histórica dos três milhões de compartilhamentos no Twitter. Ele citou Nelson Mandela: "ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou sua origem, ou sua religião".

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AFP