Navigation

Trump e Biden, preocupados com abastecimento da vacina contra a covid-19 nos EUA

O presidente americano, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington DC, em 7 de dezembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. dezembro 2020 - 20:19
(AFP)

Cada um à sua maneira, Donald Trump e Joe Biden advertiram nesta terça-feira (8) que a batalha contra a covid-19 não é apenas um problema científico, mas também logístico e industrial, enquanto os Estados Unidos buscam assegurar a imunização de seus 300 milhões de habitantes.

Trump, que deve passar o poder a Biden em 20 de janeiro, assinou nesta terça um decreto "para garantir que os cidadãos americanos tenham a prioridade para receber vacinas americanas".

Durante uma "cúpula de vacinas" na Casa Branca, ele lembrou que tem o poder de invocar uma lei que lhe garantiria a produção das fábricas americanas, embora tenha dito acreditar que não fosse necessário.

O presidente eleito, Joe Biden, por sua vez, alertou que se o Congresso não chegar rapidamente a um acordo financeiro para combater a pandemia, a campanha de vacinação contra o novo coronavírus pode ser retardada ou inclusive parar.

Em seu reduto, em Wilmington, Delaware, Biden enfatizou que é imperativo que os legisladores entrem em acordo "agora ou milhões de americanos podem esperar meses a mais para receber a vacina".

Ambos têm pedidos parecidos, mas suas cifras variam.

O governo em fim de mandato acredita que seja possível vacinar 100 milhões de americanos antes do fim de março (há uma semana, a previsão era o fim de fevereiro). Biden fixou como meta distribuir 100 milhões de doses durante seus primeiros cem dias no cargo, no fim de abril.

Pfizer/BioNTech e Moderna, cujas vacinas podem ser licenciadas pela agência de medicamentos FDA nos próximos dias, têm contratos com os Estados Unidos para fornecer 100 milhões de doses, que deveriam ser suficientes para a fase inicial de vacinação - residentes de lares para idosos, profissionais de saúde e parte de grupos prioritários que serão designados posteriormente.

Os Estados Unidos vão precisar de outros provedores.

Além destas, está a vacina da Johnson & Johnson, que poderá solicitar uma autorização no fim de janeiro ou no começo de fevereiro, segundo Moncef Slaoui, assessor científico da operação do governo "Warp Speed" (na velocidade da luz).

Outra opção é o imunizante da AstraZeneca/Universidade de Oxford, que espera o aval da agência FDA entre o fim de fevereiro e o começo de março.

Ainda há dois projetos também financiados por Washington (Novavax e Sanofi/GSK), mas não estarão prontos antes de meados de 2021.

O decreto de Trump é um símbolo de sua política dos "Estados Unidos primeiro".

Ele quer "consagrar legalmente o nacionalismo das vacinas", disse à AFP Matthew Kavanagh, especialista em saúde global da Universidade de Georgetown.

"Não é ético, nem bom para os americanos sugerirem que toda pessoa sadia nos Estados Unidos deva ser vacinada antes da primeira pessoa vulnerável em Índia, França ou Colômbia", opinou.

"Os modelos demonstraram que uma estratégia como esta na verdade alongaria a pandemia, descarrilaria ainda mais a economia mundial e prejudicaria os americanos", disse.

- Transparência -

Em um relatório de 53 páginas, publicado antes de uma reunião crucial nesta quinta do painel de especialistas independentes que assessora a FDA, os cientistas informaram os dados completos do teste clínico da Pfizer com 44.000 participantes, metade dos quais recebeu um placebo e a outra metade, a vacina.

Nenhuma outra agência reguladora publicou um documento deste tipo, nem sequer o regulador do Reino Unido, que já aprovou a vacina. Mas a FDA, que é considerada a agência de referência no mundo, cuida da transparência de seu procedimento para dar tranquilidade sobre a segurança e inocuidade da vacina, desenvolvida em menos de um ano.

O informe confirma a altíssima eficácia da vacina: as duas doses, aplicadas com três semanas de intervalo, reduzem o risco de contrair a covid-19 em 95%, em particular as formas graves.

Os dados sugerem, inclusive, que a primeira dose ajuda a prevenir a covid-19 após dez dias, com uma eficácia entre as duas doses estimada em 52%, embora estas não sejam "conclusões definitivas".

O diretor da Pfizer, Albert Bourla, advertiu, no entanto, que seria "um grande erro" não tomar a segunda dose, que permite "quase o dobro de proteção".

"Parece tão boa, senão melhor, do que o anunciado", disse à AFP Andrew Morris, infectologista da Universidade de Toronto.

"A prevenção de doenças graves continua sendo a melhor notícia", afirmou à AFP Saad Omer, diretor do Instituto de Saúde Global de Yale.

Entre os efeitos colaterais, os cientistas indicaram reações dolorosas no local da aplicação da injeção no braço (cerca de 80%), fadiga, dores de cabeça e no corpo, e mais raramente febre (15,8%).

A FDA mencionou quatro casos de paralisia facial de Bell (habitualmente temporária e não grave) e mais de 18.000 pessoas vacinadas, e recomendou vigilância específica.

Quanto aos efeitos colaterais graves, apontou apenas dois: uma lesão no ombro relacionada com a injeção e um caso de inflamação dos gânglios.

A FDA concluiu que a vacina tem um "perfil de segurança favorável".

Partilhar este artigo