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O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, durante discurso em Courseulles-sur-Mer, em 10 de abril de 2017

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O presidente americano, Donald Trump, iniciou uma guerra comercial contra o Canadá, ao taxar a importação de madeira para construção e ameaçar com medidas similares os produtos lácteos do principal parceiro comercial dos Estados Unidos.

Após impor na noite de segunda-feira tarifas à madeira de construção canadense, na manhã desta terça-feira, Trump lançou pelo Twitter uma advertência ao vizinho.

Washington tomou essa decisão em represália às tarifas impostas pelo Canadá a produtos lácteos americanos.

"O Canadá tornou muito difíceis os negócios de nossas granjas leiteiras em Winsconsin e outros estados da fronteira. Cuidado!", tuitou.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, garantiu que responderá com firmeza às decisões de Trump.

"Sou educado, mas também sou muito firme na defesa dos interesses do Canadá", disse Trudeau na rede canadense CTV News. Ele disse que quer dialogar "de forma respeitosa, mas duramente" com os Estados Unidos pelos desacordos comerciais.

Na tarde desta terça-feira, Trump afirmou que o Canadá foi "muito duro" com Estados Unidos.

"Nos alertaram que o Canadá foi muito duro com os Estados Unidos", disse em um ato na Casa Branca. "Todos acham que são simpáticos, mas durante anos foram mais rápidos que nossos políticos. Por isso impusemos essa tarifa alta", declarou após assinar um decreto de fomento à agricultura.

Associados no Nafta (juntamente com o México), Estados Unidos e Canadá têm um intercâmbio comercial anual de quase 545 bilhões de dólares, e Washington aponta um déficit de 11,2 bilhões de dólares.

Ao atacar a madeira para construção, Trump reanima uma antiga controvérsia que divide os dois vizinhos há décadas.

As importações canadenses desse tipo de madeira chegaram em 2016 a 5,66 bilhões dólares, segundo o ministério do Comércio americano, ao anunciar que vai impor tarifas de entre 3,02% e 24,12% de acordo com os produtos. No entanto, desse total, apenas alguns serão afetados pela medida.

Os produtores americanos acusam seus concorrentes canadenses de dumping ao exportar para os Estados Unidos a um preço menor que o de produção.

Washington cedeu "às pressões do poderoso lobby florestal dos Estados Unidos ao inclinar-se pelo protecionismo", disse Alexandre Cusson, vice-presidente da união de municípios de Quebeq.

Cusson estima que o impacto financeiro dessa decisão pode superar os 200 milhões de dólares apenas na região de Quebec.

Na noite de segunda-feira o Canadá denunciou os "injustos direitos alfandegários e punições" à sua madeira.

Nos Estados Unidos, a decisão de Trump preocupa o setor imobiliário, pois estima-se que os custos de construção de casas poderão aumentar até 35% devido às tarifas sobre a madeira canadense.

- Lácteos na mira -

O México parecia até agora o alvo preferido do ímpeto protecionista de Trump. No entanto, o governo ataca agora seu vizinho do norte.

"É uma semana ruim para as relações comerciais americanas-canadenses", admitiu o secretário de Comércio Wilbur Ross.

Ele lembrou que há uma semana o Canadá queria bloquear o último lácteo que os Estados Unidos exportavam. "Esta não é a nossa ideia de um acordo de livre-comércio que funcione bem", disse.

Trudeau diz que as disputas pela madeira e pelos lácteos se arrastam desde o final dos anos 60; ou seja antes de seu pai, Pierre Trudeau, ser primeiro-ministro.

"São problemas recorrentes", disse, acrescentando que Trump "tem a mesma posição que o presidente (Barack) Obama".

Na semana passada, Trump classificou de "vergonhosas" as restrições canadenses à importação de concentrados de proteínas do leite.

Essa decisão deixou os produtores americanos em dificuldades. O Canadá alega que quer reduzir os efeitos da superprodução do outro lado da fronteira.

A ofensiva protecionista da Casa Branca ameaça outros países e setores. Na semana passada Trump mencionou a possibilidade de tomar medidas contra a importação de aço. Para ele, a queda da produção siderúrgica americana é uma ameaça à segurança nacional.

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