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O presidente americano Donald Trump e o rei saudita Salman bin Abdulaziz al-Saud em Riad no dia 20 de maio

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O presidente americano Donald Trump fará neste domingo em Riad um apelo aos líderes muçulmanos para que lutem contra o "extremismo islamita", em discurso sobre o islã muito aguardado em todo o mundo.

De acordo com trechos do discurso antecipados pela Casa Branca, no segundo dia de sua visita à Arábia Saudita o presidente americano deve insistir na necessidade de que os países do Oriente Médio e do Golfo tenham um papel mais ativo contra o terrorismo.

"Não é uma batalha entre diferentes religiões" ou "diferentes civilizações", afirmará Trump, de acordo com trechos do discurso divulgados.

"É uma batalha entre criminosos bárbaros que tentam destruir a vida humana e pessoas de bem de todas as religiões que buscam protegê-la. É uma batalha entre o bem e o mal", destaca o discurso.

No pronunciamento, que deve acontecer diante de 30 líderes muçulmanos na capital saudita, Trump também deve estimular a "enfrentar a crise do extremismo islamita".

A expressão é notavelmente diferente de "terrorismo islâmico radical", termos utilizados com frequência por Trump durante a campanha eleitoral e que provocava receio no mundo muçulmano.

"Os líderes religiosos devem afirmar com grande clareza: a barbárie não provocará nenhuma glória (...) Se escolherem a via do terrorismo, sua vida estará vazia, sua vida será breve", completa o texto divulgado.

"Não estamos aqui para dar lições, não estamos aqui para dizer aos demais como viver (...) Estamos aqui para oferecer uma aliança baseada em nossos interesses comuns, e em nossos valores comuns", afirma.

De acordo com trechos antecipados, o presidente republicano se afastaria da retórica dura adotada durante a campanha eleitoral, acusada de islamofobia.

- Irã -

Agora resta saber se, como acontece com frequência, Trump vai se afastar do texto para improvisar durante o discurso.

Em sua fala, Trump também poderia aproveitar para elevar o tom a respeito do Irã, o que agradaria a Arábia Saudita e as monarquias sunitas do Golfo, que temem a crescente influência do grande rival xiita.

Neste domingo, segundo dia da visita à Arábia Saudita, Trump se reuniu com o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi, e anunciou que em breve viajará ao Egito, um grande aliado de Washington.

O presidente americano também se reuniu na capital saudita com os líderes dos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG): Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Catar.

Ao fim da pequena reunião de cúpula, as monarquias do CCG e os Estados Unidos anunciaram "a criação de um centro para lutar contra as fontes de financiamento do terrorismo".

As duas partes trocaram os instrumentos de ratificação do centro, anunciou a agência oficial saudita SPA, sem informar sua missão ou onde ficará a sua sede.

No passado, o governo dos Estados Unidos considerou que certos países árabes e muçulmanos não se esforçavam de modo suficiente para lutar contra o terrorismo.

- Uma viagem delicada -

No sábado, o primeiro dia de Trump em Riad foi marcado pelos anúncios de grandes contratos, que superam 380 bilhões de dólares, incluindo 110 bilhões para a venda de armas aos sauditas com o objetivo de fazer frente às "ameaças" do Irã.

A escala em Riad pode ser a etapa mais tranquila da longa viagem do presidente americano, que terminará na Europa.

A partir de segunda-feira, Trump visitará Israel, os Territórios palestinos, o Vaticano, Bruxelas e a região italiana da Sicília, para as reuniões de cúpula da Otan e do G7, onde os aliados europeus de Washington esperam obter compromissos claros.

A agenda lotada, no entanto, é seguida pela sombra da investigação nos Estados Unidos sobre os supostos vínculos entre a equipe de campanha eleitoral de Trump e a Rússia.

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