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Presidente Donald Trump e o ex-diretor do FBI James Comey

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O presidente americano, Donald Trump, não impedirá o testemunho que o ex-diretor do FBI James Comey deve dar no Senado esta semana - afirmou a porta-voz adjunta da Casa Branca, Sarah Huckabee.

Segundo ela, "o presidente não aplicará a prerrogativa do Poder Executivo" de se negar a oferecer informações.

Demitido por Trump no início de maio, Comey pode denunciar no Senado, nesta quinta-feira (8), supostas pressões da Casa Branca para conter uma investigação sobre as suspeitas de envolvimento da Rússia nas eleições americanas.

Seu testemunho tem gerado grande expectativa, porque pode colocar Trump em maus lençóis.

Há alguns dias, o jornal The New York Times afirma que o presidente pediu a Comey que arquivasse uma investigação sobre um de seus colaboradores mais próximos, o agora ex-conselheiro de Segurança Nacional, general Michael Flynn.

Nas últimas semanas, foram revelados possíveis vínculos entre pessoas próximas a Trump e funcionários russos.

O presidente nega ter intercedido no FBI e diz desconhecer a ingerência da Rússia.

Pela lei americana, o Poder Executivo tem a prerrogativa de negar aos outros dois poderes (Legislativo e Judiciário) o acesso a informações, ou a funcionários sob ordens diretas do presidente, como seria o caso de Comey.

Como diretor do FBI, Comey estava à frente de uma investigação sobre a alegada interferência da Rússia nas eleições presidenciais de 2016 e a eventual cumplicidade do comitê de campanha de Trump.

Em particular, Comey se concentrava em contatos mantidos por várias pessoas próximas a Trump com funcionários russos durante a campanha eleitoral.

Entre eles, a investigação se concentrou em Flynn, que havia ocultado os contatos com funcionários russos.

No dia 9 de maio, Comey foi demitido por Trump, e dias depois a imprensa americana denunciou que, em um memorando interno a seus subordinados diretos, Comey havia relatado pressões da Casa Branca para deixar Flynn "tranquilo".

Esse gesto constituiria obstrução de Justiça, um delito considerado grave pela legislação americana, que pode, inclusive, abrir caminho para a abertura de um processo de impeachment contra Trump.

Diante da gravidade do escândalo, o comitê de Inteligência do Senado convidou Comey para comparecer a uma audiência pública, a qual acontece na manhã desta quinta-feira.

Desde que se confirmou a audiência de Comey, parte da imprensa americana tem especulado que a Casa Branca poderia tentar barrar seu testemunho.

Trump ainda não escolheu um novo diretor para o FBI. O Departamento de Justiça nomeou um procurador-especial e independente, Robert Mueller, para conduzir a investigação sobre o papel da Rússia na eleição presidencial do ano passado.

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