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Mar da China Meridional, área sob disputa por vários países e onde a China constrói ilhas artificiais

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O presidente americano, Donald Trump, ofereceu-se, neste domingo (12), para mediar a disputa territorial pelo Mar da China Meridional, onde Pequim constrói uma ilha artificial há anos.

A inesperada proposta de Trump de mediar esta controvérsia de décadas corre o risco de ser rejeitada pela China. Em repetidas ocasiões, Pequim declarou que os Estados Unidos não têm um papel em questões consideradas bilaterais pelos chineses.

Horas depois, os líderes comunistas de China e Vietnã informaram que chegaram a um consenso para gerenciar as águas disputadas, durante uma visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, a Hanói, segundo a agência oficial chinesa, Xinhua.

Os países "chegaram a um consenso (...) para avançar com continuidade em toda forma de cooperação marítima, incluindo o desenvolvimento conjunto, e se esforçar conjuntamente para defender a paz e estabilidade no Mar da China Meridional", divulgou a Xinhua.

A China reivindica a quase totalidade desse estratégico mar, pelo qual transita anualmente o equivalente a 5 bilhões de dólares em comércio. Também se especula sobre a existência de vastas reservas de petróleo e de gás.

Vietnã, Filipinas, Malásia, Brunei e Taiwan também querem setores desse mar, e a disputa é considerada há anos como um conflito potencial na Ásia.

Hanói busca o apoio de Washington, mas ninguém conseguiu, até agora, frear a China e impedi-la de continuar a construção de ilhas artificiais nesse mar.

As ilhas podem ser utilizadas como bases militares, e alguns dos atores da disputa temem que a China estabeleça em breve um controle unilateral da região.

A tensão registrou um novo pico este ano, quando o Vietnã suspendeu um projeto de exploração de petróleo em uma zona reivindicada por Pequim - aparentemente, por pressões de seu vizinho comunista.

Em 2014, a China enviou uma plataforma de petróleo frente à costa do Vietnã, o que provocou violentos protestos nesse país.

Trump fez sua proposta pouco antes de partir do Vietnã para as Filipinas, aonde chegou neste domingo (12) para participar da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

A proposta não foi aceita de imediato pelo presidente filipino, Rodrigo Duterte. Desde que chegou ao poder em 2016, ele busca estreitar os laços econômicos com a China.

"Agradecemos. É muito amável, e uma oferta generosa, porque é um bom mediador", disse o chanceler filipino, Alan Peter Cayetano.

"Mas, certamente, os países que reivindicam a disputa devem responder em grupo, ou de maneira individual, e um único país não pode dar uma resposta imediata porque a mediação diz respeito a todos", completou.

Duterte disse ainda que falou sobre a disputa com o presidente Xi em um encontro no sábado, na cidade vietnamita de Danang, à margem da cúpula da Apec.

"Ele nos garantiu mais uma vez: 'Não se preocupe, terá todos os direitos de passagem. Isso também se aplicará a todos os países'", contou Duterte aos jornalistas ao voltar para Manila.

Isso parece partir da premissa de que a China controlará o setor.

Na segunda-feira (13), a China e os países-membros da Asean devem anunciar em Manila que chegaram a um acordo para iniciar conversas sobre um código de conduta para o mar.

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, promoverá isso como um importante avanço, disse na semana passada o porta-voz da Chancelaria filipina, Robespierre Bolivar.

As negociações não começariam antes do próximo ano e, a pedido da China, o acordo ao qual se chegar não será legalmente vinculativo, acrescentou Bolivar.

O Vietnã defende um código de conduta vinculativo, mas, com Manila aceitando as demandas chinesas, a Asean concordou em agosto que não tenha força de lei.

Em 2002, a China aceitou iniciar negociações sobre um código de conduta, mas conseguiu adiá-las, enquanto segue, em paralelo, seu expansionismo estratégico.

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AFP