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Trump pressiona por aprovação rápida de vacina da Pfizer; outros imunizantes apresentam problemas

Segundo o Washington Post, a Casa Branca disse ao chefe da FDA, Stephen Hahn, para apresentar sua renúncia caso a agência não liberasse a vacina até o fim do dia afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 11. dezembro 2020 - 21:11
(AFP)

O presidente ameicano, Donald Trump, pressionou nesta sexta-feira a agência que regulamenta os medicamentos nos Estados Unidos (FDA) a aprovar rapidamente a vacina Pfizer/BioNTech contra a Covid-19, enquanto o país se prepara para realizar a imunização em massa.

Segundo o jornal "Washington Post", a Casa Branca disse ao chefe da FDA, Stephen Hahn, que apresentasse sua demissão caso a agência não aprovasse a vacina até o fim do dia. Trump chamou nesta sexta-feira a agência de "grande tartaruga lenta" e pediu que Hahn liberasse "as malditas" vacinas imediatamente.

Um comitê de especialistas já votou a favor de conceder a autorização para o uso emergencial, o que deverá ocorrer em alguns dias, enquanto a FDA trabalhava para resolver os detalhes de última hora com a Pfizer, o que inclui uma folha de dados para os médicos. Além disso, a agência quer recomendar às pessoas com alergias severas que evitem a vacina por agora.

A intervenção de Trump reintroduz a política no processo científico, o que poderia minar a confiança na vacina entre a população mais afetada do mundo pela pandemia, em um país onde o número de mortos se aproxima de 300 mil. Tampouco está claro se ter a aprovação emergencial um dia ou dois antes do esperado mudará os prazos de vacinação. Já era esperado que, na próxima segunda ou terça-feira, os primeiros americanos recebessem suas doses.

O governo também anunciou hoje que comprou 100 milhões de doses adicionais da vacina contra a Covid-19 da Moderna, que também aguarda aprovação, diante de informações que afirmam que deixou-se passar a oportunidade de garantir um estoque maior de vacinas da Pfizer.

Mas nem todos os laboratórios anunciam boas notícias. O francês Sanofi e o britânico GSK sofreram um duro revés, pois sua vacina não estará pronta até o final de 2021, após resultados piores do que o esperado nos primeiros ensaios clínicos. O adiamento pretende "melhorar a resposta imunológica nos idosos", disseram os grupos em um comunicado. A vacina estaria disponível na primeira metade de 2021 e 1 bilhão de doses são esperadas para o ano que vem.

A Austrália também decidiu nesta sexta abandonar os ensaios para gerar sua própria vacina devido a um falso positivo ao HIV, o vírus da aids, entre os participantes. Esses resultados são divulgados no momento em que o número de casos do novo coronavírus acelera na América do Norte e em partes da África, mas começa a se estabilizar na Europa e cair na Ásia e no Oriente Médio.

- Aliança AstraZeneca/Sputnik V -

O Reino Unido se tornou esta semana o primeiro país ocidental a administrar a vacina Pfizer-BioNTech, que Canadá, Barein e Arábia Saudita também aprovaram. O primeiro envio da vacina a 14 pontos do Canadá está programado para chegar na próxima segunda-feira, e estima-se que a vacinação poderia ter início até dois dias depois.

Em Moscou, o laboratório britânico AstraZeneca e Rússia anunciaram ensaios clínicos conjuntos que combinam suas duas vacinas (a russa é a Sputnik V) contra o coronavírus, um caminho para alcançar uma "resposta imunológica melhor".

Rússia e China já iniciaram campanhas de inoculação com vacinas de produção nacional que ainda não tiveram a aprovação definitiva. Já a Agência Europeia de Medicamentos prometeu sua decisão sobre a vacina Pfizer/BioNTech antes de 29 de dezembro e sobre a da Moderna em 12 de janeiro.

Mas restam perguntas pendentes sobre as vacinas. Existem dúvidas sobre a medida em que a injeção irá conter a transmissão do vírus e se a mesma terá eficácia em crianças, gestantes e pessoas com imunidade baixa.

Vários países europeus reconheceram nesta sexta-feira (11) que continuam sofrendo com níveis muito altos de contágio da covid-19 a poucas semanas do Natal, enquanto os Estados Unidos vivem uma onda arrasadora, com todas as suas esperanças voltadas para o início da vacinação.

Na França (com cerca de 57.000 mortos), há um "risco alto" de um surto "nas próximas semanas", alertaram as autoridades, que pediram "uma grande vigilância". Os franceses deverão respeitar um toque de recolher diário às 20h00 locais, incluindo na noite de ano novo, com exceção apenas na véspera de natal. Cinemas, teatros e museus permanecerão fechados ao menos até 7 de janeiro.

Na vizinha Bélgica, a pandemia também está em "um nível muito elevado e perigoso", alertou o virologista Steven Van Gucht, porta-voz das autoridades de saúde. Os hospitais continuam saturados, alertou, apesar de os surtos não serem tão preocupantes como na Holanda ou na Alemanha.

Na Suíça, o aumento de casos é exponencial, com mais de 5.000 por dia. A situação é "crítica", alertou a presidente federal, Simonetta Sommaruga. O país adotou um pacote de medidas como o fechamento de restaurantes, bares e lojas às 19h locais.

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