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O presidente americano, Donald Trump, e o seu contraparte ucraniano, Petro Porochenko, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington DC, em 20 de junho de 2017

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O presidente americano, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira, na Casa Branca, o seu contraparte ucraniano no momento em que sua administração anunciava o fortalecimento das sanções contra a Rússia por seu apoio aos separatistas na Ucrânia.

"É uma grande honra estar com o presidente [Petro] Porochenko", declarou Trump no Salão Oval, na presença deste último e do vice-presidente Mike Pence. "Tivemos um diálogo muito bom", assinalou, a poucas semanas da cúpula do G20 em Hamburgo (Alemanha), durante a qual poderá se encontrar pela primeira vez com o presidente russo, Vladimir Putin.

A Ucrânia sofre desde 2014 com um conflito armado entre os separatistas pró-Rússia no leste do país e as forças de Kiev, que já deixou mais de 10.000 mortos.

Os Estados Unidos e os seus aliados europeus, que impuseram sanções à Rússia, pedem a aplicação dos Acordos de Paz de Misk assinados em 2015 e que tinham o propósito de instaurar uma trégua.

Porochenko, que insistiu em dizer que os Estados Unidos são um "aliado" da Ucrânia, conseguiu com este encontro um êxito diplomático, pois o Executivo americano havia anunciado inicialmente apenas uma reunião com o vice-presidente, Mike Pence.

Segundo o presidente ucraniano, as conversas incluíram a cooperação militar entre os dois países.

À tarde, Porochenko se reuniu também com o secretário da Defesa, Jim Mattis.

"Os Estados Unidos estão com vocês, os apoiamos ante as ameaças à sua soberania, ao direito internacional ou à ordem internacional", disse-lhe Mattis.

As novas sanções anunciadas por Washington atingem 38 indivíduos e entidades na Ucrânia, assim como dois funcionários russos de alto escalão e uma dúzia de indivíduos e organizações que operam na Crimeia. Têm o propósito de "manter a pressão sobre a Rússia e encontrar uma solução diplomática", explicou o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin.

"Até que estejam fora da Ucrânia oriental, vamos continuar tendo sanções contra a Rússia", acrescentou mais tarde Sean Spicer, secretário de imprensa da Casa Branca.

A Rússia reagiu imediatamente a esses anúncios e prometeu medidas em represália.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, criticou duramente a decisão de Washington.

"Não posso dizer nada, exceto que lamento a obsessão russófona dos nossos colegas [americanos], que supera todos os limites", declarou Lavrov, durante entrevista coletiva conjunta com seu contraparte francês, Jean-Yves Le Drian.

Mais cedo, o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Riabkov, citado pela agência RIA Novosti, já havia criticado "a política destrutiva de Washington" e assegurado que essas sanções não teriam "nenhum impacto negativo" no país.

- Separatistas ucranianos punidos -

Segundo o Departamento do Tesouro americano, as sanções relacionadas à situação no leste da Ucrânia seguirão em vigor "até que a Rússia cumpra suas obrigações com os Acordos de Minsk". "As sanções americanas relacionadas à Crimeia não serão retiradas até que a Rússia acabe com a ocupação da península", acrescentou a mesma fonte.

Entre as pessoas incluídas na lista negra que bloqueia os seus eventuais deveres nos Estados Unidos e proíbe qualquer relação comercial com eles, figuram cerca de 20 separatistas ucranianos. Eles contam com acusações de responsabilidade nos estados secessionistas da Crimeia, "a República Popular de Donetsk" próximo à cidade do mesmo nome e "a República Popular de Lugansk".

Entre eles está o diretor de Serviços Penitenciários da chamada República da Crimeia e o seu procurador, além do ministro do Interior e de Segurança da "República de Lugansk". Um funcionário de alto escalão dos Serviços de Migração russos na Crimeia também está na lista.

Duas organizações paramilitares e seus dirigentes, entre eles a PMC Wagner, que recruta soldados para lutar junto com os separatistas na Ucrânia, e a Wolf Holding of Security Structures, que treina artes marciais e técnicas militares, também foram sancionadas. Na lista também há seis bancos da Crimeia.

AFP