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O presidente americano Donald Trump, no dia 7 de junho de 2017

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O presidente americano, Donald Trump, telefonou, nesta quarta-feira (7), para o emir do Catar para lhe oferecer sua ajuda como mediador na grave crise entre Doha e seus vizinhos do Golfo.

No telefonema com o emir, o xeque Tamim bin Hamad Al-Thani, Trump mencionou a ideia de uma reunião na Casa Branca para aparar arestas.

A conversa se deu no mesmo dia em que Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos acentuaram a pressão sobre o Catar, três dias depois do rompimento de suas relações.

Sem chegar a pedir uma mudança de regime no Catar, os dois países exigiram que modifique sua política e reintegre o consenso regional sobre os temas sensíveis dos movimentos islamitas radicais e os laços com o Irã xiita, grande rival do reino saudita na região.

Na segunda-feira (5), Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Egito, Iêmen e Maldivas romperam relações com o Catar, acusando o país de "apoiar o terrorismo". A Mauritânia se uniu mais tarde.

Em entrevista à AFP, o ministro das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, declarou que Riad e Abu Dhabi não buscam "uma mudança de regime" no reino catariano, mas uma "mudança de política".

"A envergadura da atual crise é bastante substancial", reconheceu Gargash, acrescentando que Doha tem de parar de se comportar como "campeão do extremismo e do terrorismo na região".

- Condições

Gargash enumerou as condições necessárias para uma normalização com o Catar, o qual rejeitou as acusações já na segunda-feira.

O ministro urgiu ao país que pare de usar sua emissora Al-Jazeera para promover "um programa extremista"; acabe com a presença em Doha dos dirigentes da Irmandade Muçulmana; distancie-se do movimento islamita Hamas; e aja contra as pessoas que tiverem vínculos financeiros com redes extremistas.

"O catálogo é amplo. A política externa [do Catar] ficou louca, e temos que verificar tudo", destacou.

Diante disso, em nota divulgada hoje, o Hamas avaliou que o apelo do ministro árabe é "uma incitação ao ódio contra o Hamas".

O chefe da Diplomacia saudita, Adel al-Jubeir, que viajou para Paris e para Berlim, declarou nesta quarta-feira que não pediu nem à França, nem à Alemanha que sejam mediadores na crise.

"Mas faremos isso durante o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG)", afirmou.

Tentando uma mediação, o emir do Kuwait se reuniu na terça-feira com o rei Salman da Arábia Saudita e, nesta quarta, viajou aos Emirados Árabes Unidos. Depois, seguiu para o Catar, onde foi recebido pelo emir, segundo a agência de notícias kuwaitiana KUNA.

O ministro Gargash considerou que ainda não há as condições para realizar uma verdadeira mediação, que deve ser precedida por "uma declaração, uma vontade do Catar".

Doha tranquiliza população

Na terça-feira, em uma série de tuítes, o presidente Donald Trump apoiou Riad e seus aliados a isolar o Catar, o qual, segundo ele, tem um papel no financiamento do extremismo islâmico.

Com essas declarações, o presidente provocou dúvidas sobre o futuro da grande base aérea americana em Al-Udeid, no deserto do Catar, que tem papel-chave na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque.

Algumas horas depois, Trump suavizou o discurso, ao afirmar que "a unidade do CCG é crucial para vencer o terrorismo e promover a estabilidade na região", durante uma ligação com o monarca saudita.

Hoje, ele ofereceu "ajuda para que as partes resolvam suas diferenças".

A Turquia, que mantém uma estreita relação com o Catar, multiplicou seus apelos pela moderação. O Parlamento de Ancara debate nesta quarta, se executará um acordo para o envio de tropas para uma base turca no Catar.

A ruptura das relações com Doha provocou a suspensão de voos, o fechamento das fronteiras terrestres e marítimas, assim como a proibição de sobrevoo dos territórios dos outros países do Golfo às companhias do Catar.

Na esteira da crise, a agência de classificação de risco Standard and Poor's (S&P Global Ratings) rebaixou em um grau a nota do Catar, de AA para AA-, alegando que a crise diplomática pode "exacerbar as vulnerabilidades externas do Catar" e "exercer pressões sobre o crescimento econômico e o orçamento".

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