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O presidente Donald Trump, em Washington DC, em 25 de julho de 2017

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Sob forte pressão do presidente Donald Trump, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira a abertura do debate sobre a derrogação da reforma da Saúde de Barack Obama. A disputa, no entanto, ainda levará tempo para ser vencida.

O Senado, de maioria republicana, teve uma votação apertada para uma simples moção de procedimento, que permite 20 horas de discussões e várias votações sobre as emendas.

O resultado pode ser considerado uma vitória parcial para Trump, feroz opositor do Obamacare, que havia convocado os senadores republicanos a deixar de lado suas diferenças e avançar neste tema, parado há meses.

"Este foi um grande passo", disse Trump pouco depois da votação, felicitando o Senado em uma coletiva na Casa Branca. O presidente qualificou a reforma de saúde de seu antecessor como "um desastre para o povo americano".

A maioria republicana havia jogado a toalha na semana passada diante das divisões internas. Trump, determinado a cumprir essa antiga promessa de campanha, lançou ameaças veladas de represália aos senadores republicanos que não o apoiassem.

Na votação, de 52 senadores republicanos apenas dois se atreveram a posicionar-se contra: Susan Collins (Maine) e Lisa Murkowski (Alasca).

O resultado foi de 51 votos contra 50, com o voto de Minerva do vice-presidente Mike Pence, como permite a Constituição em caso de empate.

O senador John McCain, que retornou do Arizona, onde foi diagnosticado na semana passada de câncer cerebral, optou pelo "sim", mas advertiu que votará contra caso o texto final não seja satisfatório.

Ovacionado por seus colegas ao entrar no recinto, McCain pediu uma maior cooperação nos próximos dias: "Por que não tentamos a velha maneira de legislar no Senado?!" - disse.

Apesar de aparecer sorridente, como antes de sua operação, brincou que retornava "um pouco estropeado".

- Derrogação à força? -

Pouco antes, cerca de vinte pessoas nas galerias do Senado tentaram interromper a votação, aos gritos de "Matem a reforma!" e "Vergonha!" - antes de serem retiradas pela polícia do Capitólio.

Os republicanos moderados aceitaram finalmente permitir a abertura do debate.

Shelley Moore Capito, que representa a Virgínia Ocidental, um dos estados mais pobres dos Estados Unidos, alertou na semana passada que não foi eleita para "prejudicar as pessoas", mas justificou seu voto dizendo que continuaria "lutando por políticas que permitam baixar o custo da assistência".

Há meses, os republicanos estão divididos sobre este tema.

Há resistência por parte dos conservadores que pressionam pela derrogação do Obamacare e dos moderados que se negam a cortar o orçamento de saúde para não afetar os americanos mais pobres.

Os primeiros querem desregular o mercado dos seguros de saúde e reduzir o orçamento federal para a saúde; os segundos não querem restringir o orçamento do Medicare, o seguro de saúde dos americanos mais pobres.

"Embora haja divergências sobre a melhor forma de derrogar e substituir o Obamacare, uma coisa é certa: os americanos esperam que nossas promessas sejam mantidas", disse o conservador Ted Cruz.

John Boehner, ex-presidente republicano da Câmara dos Representantes, previu recentemente que o Obamacare não será derrogado nem completamente substituído. Em última instancia, só serão mudados alguns aspectos da reforma.

A oposição democrata teme que, por manobras parlamentares, a derrogação saia à força. O veredito se saberá em dias.

AFP