O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, pediu ao Parlamento que organize "imediatamente" uma votação de confiança sobre seu governo, após a renúncia de seu ministro da Defesa.

"Aceitei a renúncia do ministro da Defesa", declarou Alexis Tsipras, pouco depois do anúncio de Panos Kammenos, principal aliado da coalizão do governo e contrário ao novo nome da Macedônia.

A alteração deve ser votada e ratificada em breve pelo Parlamento.

"Vamos proceder imediatamente à renovação da confiança no nosso governo [com uma votação] no Parlamento para resolver as principais questões do nosso país", convocou o primeiro-ministro, antes de designar o almirante Evangelos Apostolakis como sucessor de Kammenos.

Segundo a agência de notícias ANA, os debates sobre a moção de confiança poderão começar na terça e terminar na quinta-feira.

"A questão macedônia não me permite não sacrificar meu cargo" de ministro, declarou Kammenos, após se reunir com Tsipras.

"Agradeci ao primeiro-ministro por sua cooperação e lhe expliquei que, devido a esta questão nacional, não podemos continuar. Os Gregos Independentes vão deixar o governo", acrescentou.

Partido conservador e nacionalista, o Gregos Independentes (Anel) é o principal aliado da coalizão de governo liderada por Tsipras. O Anel conta com sete deputados no Parlamento.

Essa deserção pode desestabilizar a coalizão de governo antes das eleições legislativas previstas para outubro, mas que podem ser antecipadas para maio para coincidir com as europeias.

- Trinta anos de litígio -

Na sexta-feira, o Parlamento macedônio ratificou o acordo sobre a mudança de nome de seu país para República da Macedônia do Norte. Para que a alteração entre em vigor, o texto ainda deve ser aprovado pelos gregos.

A votação em Atenas deve acontecer "nos próximos dez dias", segundo Alexis Tsipras.

Embora seja necessária apenas maioria simples para validar definitivamente a mudança de nome da Macedônia, o chefe de governo conta com uma pequena margem de manobra: 153 de 300 deputados e, destes, 145 são de seu partido de esquerda, o Syriza.

Com 78 deputados, a principal sigla de oposição Nova Democracia anunciou que votará contra.

Os representantes do Anel mantiveram a ambiguidade e podem apoiar a mudança de nome, apesar da renúncia de seu líder. Tratando-se de seis membros do governo, tampouco é certo que sigam a ordem de Kammenos.

O premiê grego também espera o voto dos deputados do partido pró-europeu de oposição Potami, que conta com sete deputados.

Em 17 de junho, Atenas e Skopje firmaram um acordo histórico para rebatizar a ex-república iugoslava como República da Macedônia do Norte. A mudança põe fim a cerca de 30 anos de litígio entre os dois países.

A Grécia também se comprometeu a suspender seu veto na adesão da Macedônia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e às negociações de adesão à União Europeia (UE) desse país balcânico de 2,1 milhões de habitantes.

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