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Recep Tayyip Erdogan em 8 de abril de 2017 em Istambul

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A Turquia demitiu neste sábado quase 4.000 funcionários, em um novo expurgo após o golpe de Estado frustrado de julho passado, e anunciou o fim dos programas de encontros na televisão, muito populares no país.

Um total de 3.974 funcionários públicos foram demitidos, incluindo 1.000 funcionários do Ministério da Justiça e mais de 1.000 pessoas que trabalhavam para o exército, segundo um decreto de emergência, que detalha os nomes dos demitidos.

A Turquia encontra-se sob estado de emergência desde o fracasso de um golpe de Estado há nove meses, atribuído pelo regime aos simpatizantes de um pregador exilado nos Estados Unidos, Fethullah Gullen, cujo movimento tinha grande influência em muitos setores do país.

Entre os demitidos também há mais de 100 pilotos da Força Aérea, e quase 500 professores e acadêmicos que trabalham em instituições públicas.

Há três dias, o governo do presidente Recep Tayyip Erdogan também anunciou a detenção de outras 1.000 pessoas e a suspensão de mais de 9.100 policiais.

Gullen afirma a partir de seu refúgio nos Estados Unidos que seu movimento, uma espécie de irmandade religiosa, não tem nada a ver com a tentativa de golpe.

Paralelamente, outro decreto anunciou que, como parte do estado de emergência, os programas onde as pessoas, em sua maioria jovens, participam para buscar amizades ou relacionamentos morosos, não podem continuar sendo transmitidos.

"Nos serviços de rádio e televisão, estes programas nos quais as pessoas se apresentam para encontrar amigos (...) não podem ser permitidos", explicou o decreto oficial.

O vice-primeiro-ministro, Numan Kurtulmus, já havia anunciado em março que o Governo preparava esta proibição por motivos morais.

"Há alguns programas raros que prejudicam a instituição da família e acabam com sua nobreza e santidade", explicou Kurtulmus.

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