A Turquia afirmou nesta segunda-feira (14) que não se sente intimidada pelas ameaças econômicas feitas pelos Estados Unidos em relação a ataques contra a milícia síria curda, após a retirada americana da Síria.

A advertência do presidente americano Donald Trump foi feita num momento em que Ancara ameaça lançar uma nova ofensiva contra as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), um grupo armado curdo considerado como "terrorista" pela Turquia, mas apoiado por Washington na luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

"Não seremos intimidados por nenhuma ameaça. As ameaças econômicas não levarão a nada", declarou nesta segunda o ministro turco das Relações Exteriores Mevlüt Cavusoglu, em reação às ameaças do presidente americano de "devastar a economia turca" se Ancara atacar uma milícia curda aliada síria.

Por outro lado, Cavusoglu disse que a Turquia não é contra a ideia de uma "zona de segurança" entre sua fronteira e as posições dos combatentes curdos, recordando que a Turquia pediu várias vezes nos últimos anos a criação de uma tal zona, em vão.

As YPG são o principal ponto de discórdia entre a Tuquia e os Estados Unidos, aliados na Otan.

Respondendo a um tuíte do presidente americano, o porta-voz da presidência turca, Ibrahim Kalin, declarou mais cedo: "@realDonaldTrump os terroristas não podem ser seus parceiros e aliados (...) Não há diferença entre o EI (...) e as YPG. Nós continuaremos a combatê-los".

No domingo, Trump advertiu que a Turquia sofrerá uma devastação econômica se atacar os curdos e pediu a estes para não provocar Ancara.

"Devastaremos economicamente a Turquia se atacarem os curdos", tuitou Trump e defendeu criar uma zona de segurança de 30 km.

"Também não queremos que os curdos provoquem a Turquia. Rússia, Irã e Síria têm sido os maiores beneficiários da política americana de destruição do EI (grupo Estado Islâmico) na Síria", afirmou.

"Nós também nos beneficiamos, mas é momento de trazer nossas tropas para casa. Parem com as GUERRAS INTERMINÁVEIS!", acrescentou.

A perspectiva de novas sanções econômicas contra Ancara fez a lira turca se desvalorizar nesta segunda-feira, caindo mais de 1% em relação ao dólar.

Sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos contra a Turquia no ano passado em razão da detenção de um pastor americano causaram o colapso da moeda turca. A libertação do pastor em outubro permitiu que a lira se recuperasse.

Se Ancara, um dos principais atores na Síria, parece agora se concentrar em uma possível ofensiva contra as forças curdas, também está envolvida em Idleb, último reduto insurgente no noroeste do país, onde mediou com Moscou em setembro um acordo de cessar-fogo que permitiu evitar um ataque do regime.

Apesar deste acordo, os jihadistas da Hayat Tahrir al-Sham (HTS) expandiram seu controle em toda a província após um ataque às facções rebeldes apoiadas por Ancara.

A Turquia ameaça lançar uma ofensiva para expulsar os milicianos curdo-sírios das Unidades de Proteção Popular (YPG), aos quais considera "terroristas", e acusam de apoiar os curdos turcos do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que estão promovendo uma insurreição contra o Estado turco desde 1984.

Antes da retirada das tropas americanas da Síria, os grupos curdos sírios, aliados de Washington na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), tiveram que confiar no regime de Damasco para garantir sua sobrevivência diante das ameaças turcas.

Neste contexto, Washington subordina sua retirada da Síria ao fato de que eles estejam protegidos, o que irrita Ancara.

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