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Uma ucraniana chora após um bombardeio na cidade da Yasynuvata, perto do reduto rebelde de Donetsk, em 12 de agosto de 2014.

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A Ucrânia está disposta a aceitar o comboio humanitário russo com destino ao reduto rebelde de Lugansk sob certas condições, em meio a combates que deixaram mais de 2.000 mortos em quatro meses de conflito entre as forças de Kiev e separatistas pró-russos.

Na segunda-feira, a Rússia havia anunciado o envio de 1.800 toneladas de ajuda à população assolada pelos combates na Ucrânia, em meio a uma crise humanitária cada vez mais grave.

Porém, o comboio humanitário de cerca de 300 caminhões ainda estava bloqueado no sul da Rússia em razão de uma disputa entre Moscou e Kiev sobre a distribuição da ajuda. Os ucranianos, porém, aceitaram nesta quarta-feira o apoio humanitário e definiram as condições da operação.

"A decisão de aceitar a ajuda foi tomada durante a madrugada desta quarta-feira" durante uma reunião entre o presidente, o primeiro-ministro e os representantes das forças de ordem ucranianas", disse o porta-voz do presidente ucraniano, Sviatoslav Tsegolko.

"A ajuda a Lugansk deve passar por um posto na fronteira perto dessa cidade. Os agentes da alfândega, guardas e representantes da OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) devem inspecionar o carregamento na fronteira russa. Só assim a missão manterá sua rota por território controlado pelos rebeldes. Quando estiverem em Lugansk, a ajuda deverá ser distribuída aos civis pela Cruz Vermelha", acrescentou.

O número de mortos no conflito no leste da ex-república soviética dobrou em apenas duas semanas, chegando a um total de 2.086, de acordo com o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Esse registro leva em conta as vítimas das forças armadas, de grupos armados e a população civil em geral.

Em 26 de julho, o balanço estimado pelo Alto Comissariado era de 1.129 mortos. Em média, mais de 60 pessoas foram mortas ou ficaram feridas por dia no leste da Ucrânia desde meados de abril, quando Kiev lançou sua operação para combater os separatistas.

A Ucrânia, como as potências ocidentais, suspeita que o comboio russo sirva de pretexto para uma eventual intervenção de Moscou na Ucrânia. Este cenário é considerado "absurdo" pelo Ministério russo das Relações Exteriores.

Kiev e as potências ocidentais acusam a Rússia de armar os separatistas, o que Moscou nega.

"O cinismo dos russos não tem limites. Primeiro nos entregam tanques, (lança-foguetes) Grad, terroristas e bandidos que matam ucranianos e depois nos enviam água e sal", havia dito pouco antes o primeiro-ministro Arseni Yatseniuk.

De acordo com Moscou, o comboio transporta mais alimentos, medicamentos e geradores para os moradores do leste da Ucrânia, que sofrem há quatro meses com o conflito entre separatistas pró-Rússia e as forças ucranianas.

Durante uma conversa por telefone com o presidente ucraniano nesta quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, propôs que a ONU se juntasse à coordenação da missão humanitária russa junto com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

O comboio, de mais de três quilômetros e com entre 262 e 287 caminhões, segundo diversas fontes russas, prosseguia a viagem nesta quarta. No meio da tarde estava a centenas de quilômetros da fronteira ucraniana.

A chegada ao posto de fronteira de Chebekino-Pletnevka, entre a região de Belgorod (sul da Rússia) e Kharkiv (nordeste da Ucrânia), está prevista para a noite de quarta-feira, segundo Moscou.

Cavalo de Troia russo

Tanto Kiev como o Ocidente suspeitam que o comboio poderia ser uma versão moderna do cavalo de Troia: uma ajuda humanitária que esconderia uma operação de desestabilização ou reforços para os separatistas pró-Rússia.

A modalidade exata da ajuda russa é objeto de negociações há dois dias.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou na terça-feira que havia recebido a aprovação de Kiev na terça-feira.

Mas o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em Kiev declarou à AFP que as conversas estavam sendo mantidas.

A Ucrânia exigia, a princípio, a retirada da carga na fronteira e a transferência para caminhões supervisionados pelo CICV, para que o material fosse levado prioritariamente à população do reduto separatista de Lugansk.

Mas os russos argumentaram que a transferência levaria muito tempo e apresentaram a proposta de que, após uma inspeção na fronteira, os caminhões seguissem viagem sob a supervisão do CICV, com representantes da Cruz Vermelha, da OSCE e do governo ucraniano a bordo.

Moscou denuncia que a situação humanitária em Lugansk, onde não há energia elétrica ou água corrente, é "crítica".

Mas a principal ofensiva do Exército ucraniano ocorre em outra cidade, Donetsk, que Kiev pretende isolar. Os ataques de artilharia da Ucrânia parecem ter debilitado consideravelmente as posições separatistas, mas também provocaram muitas vítimas civis.

Putin deve comandar nesta quarta-feira uma reunião do Conselho Nacional de Segurança na Crimeia, a península ucraniana que a Rússia anexou em março, onde na quinta-feira pronunciará um discurso aos deputados russos.

AFP