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O premier da Ucrânia, Arseni Yatseniuk

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Intensos combates continuavam no leste da Ucrânia, no momento em que tropas russas concentram-se na fronteira ucraniana e Kiev anuncia sanções contra Moscou.

Quinze membros das forças ucranianas foram mortos em combates no leste do país nas últimas 24 horas, principalmente perto da fronteira com a Rússia, indicou nesta sexta-feira um porta-voz militar da Ucrânia. Trata-se de sete soldados e oito guardas de fronteira de uma brigada que precisou se retirar após três dias de combates, informou Andrii Lysenko durante coletiva de imprensa.

O exército ucraniano bombardeou primeira vez na quinta-feira o centro de Donetsk, a principal cidade nas mãos dos separatistas, onde um obus atingiu um hospital, deixando um morto e dois feridos.

Neste contexto, o "primeiro-ministro" dos separatistas em Donetsk, Alexandre Borodai, cidadão russo, anunciou sua renúncia. Alexander Zajarchenko, que substituiu Borodai após sua demissão, descreveu a situação como "difícil e tensa", mas afirmou que "a moral está alta".

Enquanto isso, Kiev perdeu duas aeronaves. Um helicóptero teve que realizar um pouso de emergência após ser alvejado por tiros rebeldes, e um caça foi abatido na periferia da cidade de Zhdanivka, perto do local onde o avião da Malaysia Airlines caiu após ser atingido por um míssil em 17 de julho.

"As armas utilizadas para derrubar nossos equipamentos foram fornecidas pela Rússia", garantiu Lysenko.

Os combates levaram à suspensão das buscas pelos restos mortais das vítimas da tragédia do voo MH17, que deixou 298 mortos, incluindo 193 holandeses. O primeiro-ministro holandês Mark Rutte considerou que a equipe de especialistas estrangeiros responsáveis pela missão não poderia prosseguir com os trabalhos nas atuais circunstâncias de segurança.

O governo holandês indicou que os médicos legistas identificaram mais 21 corpos, que se somam aos dois já identificados de um total de 220 caixões transferidos para a Holanda, país que é responsável pela identificação dos corpos.

Guerra comercial

Enquanto o exército ucraniano procura libertar as cidades controladas pelos insurgentes pró-russos, Kiev anunciou nesta sexta-feira novas sanções contra a Rússia, que por sua vez optou na quinta-feira por responder às sanções impostas pelos Estados Unidos e a União Europeia após o incidente com o avião da Malaysia Airlines.

O primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, anunciou sanções de seu país contra 172 pessoas e 65 empresas, principalmente russas, acusando-as de ter apoiado a anexação da Crimeia ou de financiar a rebelião pró-russa no leste da Ucrânia.

Yatseniuk não revelou a lista das pessoas e empresas sancionadas, que deverá ser aprovada pelo Conselho de Segurança e Defesa e adotada pelo Parlamento na terça-feira. Entre as possíveis sanções, está a proibição de entrar no país ou o congelamento de ativos.

O presidente também mencionou a possibilidade de que se proíba o trânsito de recursos naturais, num momento em que cerca da metade do gás consumido na União Europeia passa por território russo.

Na quinta-feira, a Rússia havia proibido durante um ano a importação de produtos agroalimentícios europeus e americanos em resposta às sanções decretadas por Estados Unidos e UE contra Moscou, a quem consideram responsável pela crise na Ucrânia.

Por último, em visita a Kiev, o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen, declarou na quinta-feira estar disposto a reforçar sua ajuda à Ucrânia diante da agressão da Rússia, cujo apoio aos separatistas ganhou, segundo ele, "em intensidade e sofisticação".

A Otan alertou nos últimos dias para a crescente presença militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia, que passou de 12.000 homens em meados de julho para 20.000 atualmente, segundo a Otan. A Aliança Atlântica teme que Moscou, que pede medidas urgentes para ajudar a população civil no leste, intervenha sob pretexto de uma ação humanitária.

AFP