Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko (2e), conversa com o Secretário Geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen (d), em Kiev.

(afp_tickers)

A Otan exigiu nesta quinta-feira que a Rússia não intervenha no leste da Ucrânia sob o pretexto de uma missão de paz, em meio ao aumento dos combates que alcançaram pela primeira vez o centro de Donetsk, reduto separatista.

Neste contexto, e com os crescentes temores de uma intervenção russa nesta ex-república soviética, Moscou decretou um embargo de um ano aos produtos alimentares europeus e americanos, em resposta às sanções que pesam sobre sua economia.

Em visita a Kiev, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, declarou estar disposto a reforçar sua ajuda à Ucrânia diante da agressão da Rússia, cujo apoio aos separatistas ganhou, segundo ele, "em intensidade e sofisticação".

"Faço um apelo à Rússia para que se retire da beira do abismo, para que se retire da fronteira. Não utilizem a manutenção da paz como um pretexto para a guerra", declarou Rasmussen em uma coletiva de imprensa.

A Otan alertou recentemente dias para a crescente presença militar da Rússia na fronteira com a Ucrânia, que passou de 12.000 homens em meados de julho para 20.000 atualmente, segundo a Otan. A Aliança Atlântica teme que Moscou, que pede medidas urgentes para ajudar a população civil no leste, intervenha sob pretexto de uma ação humanitária.

Várias cidades em poder dos rebeldes e cercadas pelas forças ucranianas, incluindo Lugansk, enfrentam uma situação humanitária cada vez mais difícil, com dificuldades de abastecimento, escassez de água e cortes de eletricidade.

Segundo a ONU, o conflito já matou mais de 1.100 pessoas em quase quatro meses e deixou cerca de 300 mil refugiados.

Hospital bombardeado

"A liberdade e o futuro da Ucrânia estão sendo atacados", advertiu Rasmussen, afirmando que a Otan está pronta para aumentar sua cooperação com Kiev, que não faz parte da Aliança, em termos de planejamento e reforma de seu Exército.

As autoridades ucranianas já deixaram claro que esperam um apoio militar e não apenas declarações políticas, como disse no domingo o ministro da Defesa, Valéri Gueletei.

Em Donetsk, maior cidade em poder dos rebeldes, intensos bombardeios atingiram pela primeira vez o centro da cidade. As autoridades contabilizaram pelo menos quatro civis mortos e pediram que as pessoas se mantenham protegidas.

As autoridades regionais afirmaram que um morteiro atingiu um hospital, matando uma pessoa e ferindo outras duas. O prefeito relatou tiros perto das instalações dos serviços de segurança ucranianos, transformadas pelos separatistas em uma de suas principais bases. De acordo com a mesma fonte, três civis foram mortos durante a noite.

Em meio a este contexto, o "primeiro-ministro" dos separatistas de Donetsk, o russo Alexandre Borodai, anunciou sua renúncia.

Caça abatido

Os últimos dias foram marcados por confrontos particularmente violentos. As forças ucranianas indicaram nesta quinta-feira a morte de sete soldados em 24 horas.

Além disso, um caça foi derrubado nesta quinta na zona pró-russa do leste ucraniano quando voava em baixa altitude, segundo um jornalista da AFP.

A aeronave caiu em um campo nos arredores da localidade de Zhdanivka - perto de onde o avião da Malaysia Airlines foi derrubado em 17 de julho - após uma aparente explosão, mas seu piloto conseguiu ejetar.

Mais cedo, Kiev optou por acabar com o cessar-fogo declarado no local da queda do avião, após a suspensão até nova ordem das buscas pelos restos mortais das 298 vítimas.

A tragédia obrigou os europeus, até então hesitantes e divididos, a adotar sanções econômicas contra a Rússia, acusada de armar a rebelião separatista.

Em resposta, a Rússia proibiu nesta quinta-feira a importação, durante um ano, de alimentos procedentes dos países que puniram a Rússia.

A proibição afeta principalmente as carnes bovina, suína e de frango, o pescado, os laticínios, as verduras e frutas procedentes de Estados Unidos, União Europeia, Austrália, Canadá e Noruega.

Moscou também ameaçou fechar o espaço aéreo do país aos aviões que viajam entre a Europa e a Ásia pela Sibéria, a rota mais curta.

Já a União Europeia (UE) anunciou que se reserva o direito a adotar medidas contra Moscou.

"Após uma avaliação completa por parte da Comissão Europeia das medidas adotadas pela Federação da Rússia, nos reservamos o direito de adotas as medidas apropriadas", disse Frédéric Vincent, porta-voz da Comissão.

AFP