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Viúvas seguram retratos de maridos que morreram após a catástrofe de Chernobyl, em Kiev, em 26 de abril de 2017

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O presidente ucraniano Petro Poroshenko visitou nesta quarta-feira a central de Chernobyl com o presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, no 31º aniversário da catástrofe no local, considerado o pior acidente nuclear da história.

"Devemos recordar, pois estas feridas não cicatrizam", afirmou Poroshenko em um discurso diante do reator acidentado da central nuclear de Chernobyl.

"Nossos irmãos bielorrussos talvez tenham sido os mais afetados por este desastre", completou.

"Os bielorrussos, como os ucranianos, entendem que a catástrofe de Chernobyl não tem fronteiras", disse Lukashenko, antes de recordar que os dois países tiveram "gastos enormes" para superar as consequências da tragédia.

Em 26 de abril de 1986 o reator número 4 da central nuclear de Chernobyl explodiu durante um teste de segurança. Por 10 dias, o combustível nuclear ardeu, expelindo na atmosfera elementos radioativos que contaminaram, segundo algumas estimativas, até 75% da Europa, mas sobretudo Rússia, Ucrânia e Belarus, na época repúblicas soviéticas.

Um polêmico relatório da ONU, de 2005, calculou em 4.000 o número de mortes provocadas ou por acontecer nos três países mais afetados. Um ano depois, a ONG Greenpeace avaliou em 100.000 o número de mortes causadas pela catástrofe.

As autoridades ucranianas divulgaram em 1998 o balanço de 12.500 mortos entre os que trabalharam para encerrar a central.

"Obrigado aos heróis que, pagando com suas vidas e saúde, nos protegeram das consequências horríveis desta tragédia", escreveu o primeiro-ministro ucraniano, Volodimir Groisman, no Facebook.

Em novembro de 2016 foi instalada uma gigantesca capa de contenção, de aço, financiada pela comunidade internacional, sobre o reator acidentado, um projeto pensado para garantir a segurança do local nos próximos 100 anos.

A capa, de 25.000 toneladas (36.000 toneladas com os diversos equipamentos previstos), "protegerá nossos filhos, netos e bisnetos", afirmou o presidente Poroshenko.

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