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Ministros de 23 Estados membros da União Europeia posam após a assinatura do documento da Pesco

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Nesta segunda-feira (13), 23 países-membros da União Europeia (UE) confirmaram sua intenção de se comprometer com uma "cooperação" militar reforçada, tanto no desenvolvimento de armas quanto nas operações no exterior, com a clara ambição de relançar uma "Europa da Defesa".

"Vivemos um momento histórico para a defesa europeia", afirmou a chefe da diplomacia do bloco, a italiana Federica Mogherini, na assinatura por parte de ministros de 23 Estados-membros da UE de um documento com 20 "compromissos" e que estabelece as bases de sua "Cooperação Estruturada Permanente" (Pesco, sigla em inglês).

Segundo Mogherini, essa nova ferramenta "permitirá desenvolver mais nossas capacidades militares para reforçar nossa autonomia estratégica".

Desde o fracasso da instalação de uma Comunidade Europeia de Defesa (CED) há 60 anos, os europeus nunca conseguiram avançar nessa área, com os países bastante cuidadosos em relação a algo que - alegam - afeta diretamente sua soberania nacional.

Uma sucessão de crises desde 2014 - como a anexação da Crimeia por parte da Rússia, o conflito no leste da Ucrânia e a onda de refugiados -, a votação do Brexit e a chegada de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos mudaram o jogo.

- 'Complementar à Otan' -

Essa iniciativa é uma "resposta à ocorrência dos atentados" no outono de 2015 (hemisfério norte), mas também "à crise na Crimeia", disse o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, ao chegar a Bruxelas para uma reunião com seus homólogos e com os ministros da Defesa da UE.

"Era importante para nós, particularmente depois da eleição do presidente americano (Donald Trump), que pudéssemos nos organizar de forma independente, enquanto europeus. Isso aqui é complementar à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), mas vemos que ninguém vai resolver, no nosso lugar, os problemas de segurança que a Europa tem em sua vizinhança. Nós mesmos temos de fazer isso", justificou a ministra alemã da Defesa, Ursula von der Leyen.

Em tese, essa cooperação reforçada pode levar à criação de um quartel-general operacional para unidades de combate da UE, ou de uma plataforma logística de operações.

Em um primeiro momento, porém, deve tomar a forma de projetos de desenvolvimento de material (tanques, drones, satélites, ou aviões de transporte militar), ou ainda, de um hospital de campanha europeu.

Mais de 50 projetos foram apresentados, relatou Federica, que disse esperar que a Pesco permita se chegar a "economias de escala" para a indústria da defesa europeia. Hoje, o setor se contra muito "fragmentado" em relação à concorrência americana, segundo ela.

Para a maioria dos diplomatas e especialistas ouvidos pela AFP, a visão francesa da Pesco - voltada para a participação em missões potencialmente arriscadas - foi superada pela alemã, que demanda, sobretudo, a participação de um número maior de países.

O grande número de participantes e a seleção de projetos acontecerão por unanimidade, "já que isso não tem qualquer chance de funcionar", comentou o especialista em questões de defesa Frédéric Mauro, frequentemente ouvido pelo Parlamento europeu.

Ele destaca, porém, que os países que se unirem à Pesco vão-se comprometer a "aumentar regularmente seus orçamentos de defesa", e os compromissos que serão divulgados hoje serão "juridicamente vinculativos".

- 'Ideia promissora' -

Os participantes também prometem "preencher" certas "lacunas estratégicas" dos Exércitos europeus com ambiciosos investimentos em pesquisa (2% dos orçamentos de Defesa).

Outro objetivo estabelecido é poder instalar mais rapidamente missões militares da UE, frequentemente afetadas pela falta de entusiasmo dos Estados de disponibilizarem seus soldados.

Tradicional "atlantista" e maior orçamento militar da UE, o Reino Unido sempre se opôs de modo ferrenho a tudo que pudesse evocar um "Exército europeu", considerando que a defesa territorial da Europa é prerrogativa exclusiva da Otan.

Com a proximidade do Brexit, previsto para ser concluído em março de 2019, Londres - que se excluiu da Pesco, junto com a Dinamarca - não quis obstaculizar a iniciativa, qualificada de "ideia promissora" por parte de seu ministro das Relações Exteriores, Boris Johnson.

A UE também pretende se dotar, em breve, de um fundo de estímulo à indústria europeia da defesa, o qual estaria estimado em 5,5 bilhões de euros para o período de um ano. Ainda nesse contexto, criou-se na primavera (hemisfério norte) seu primeiro QG militar, o qual comanda três operações não combatentes na África.

Irlanda, Portugal e Malta ainda não farão parte da Pesco neste primeiro momento. A iniciativa será lançada oficialmente em dezembro.

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AFP