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Ativista pró-União Europeia balança bandeira da França em frente à catedral de Colônia, em 23 de abril de 2017

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Os líderes europeus, conscientes de que o futuro da União Europeia estará em jogo no domingo, no segundo turno da eleição presidencial francesa, apoiam Emmanuel Macron contra a "destruição da Europa", encarnada pela eurocética Marine Le Pen.

"Se Le Pen vencer, a Europa permanecerá profundamente dividida. Se Macron ganhar, há uma oportunidade de a França se reconciliar e a Europa avançar", aponta Henrik Enderlein, professor de Economia Política na Hertie School of Governance de Berlim, dois dias para o duelo final entre o centrista pró-europeu do movimento Em Marcha! e a candidato da extrema-direita da Frente Nacional.

"Sim, cruzo meus dedos" em favor de Emmanuel Macron, reconheceu uma fonte europeia, que explicou que o debate de quarta-feira entre os dois finalistas foi acompanhado de perto pelas instituições europeias, "mesmo por colegas que não são franceses".

"Visto de Bruxelas, Macron é, obviamente, encarado de forma positiva. Temos a sensação que poderemos trabalhar com ele, porque o seu projeto não é o de destruição, como no caso de Marine Le Pen. Não é uma eleição normal, no sentido de que a extrema-direita está no segundo turno", acrescentou a fonte, que pediu anonimato.

O entusiasmo com o qual os líderes europeus parabenizaram Emmanuel Macron ao final do primeiro turno revela a inquietação que reina na União Europeia (UE) sobre a ascensão de movimentos populistas e eurofóbicos, após o referendo sobre o Brexit e a eleição de Donald Trump nos Estadis Unidos.

O ex-ministro francês Michel Barnier, que deve negociar pela UE o Brexit com Londres, explicou sem rodeios que votará em Macron "para que a França continue europeia" em um vídeo divulgado na quinta-feira no Twitter.

Seu chefe, o presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker, abandonou sua habitual discrição desde o 23 de abril à noite, para desejar a Macron "boa sorte para a próxima" etapa.

"Trata-se simplesmente de escolher entre defender aquilo que encarna a Europa e a opção que visa a destruição da Europa", declarou seu porta-voz para explicar essa interferência nas eleições francesas.

- Entusiasmo em Berlim -

Le Pen quer restabelecer as fronteiras e uma moeda nacional e, portanto, negociar com Bruxelas a saída da zona do euro e do espaço Schengen. Após estas negociações, que organizar um referendo sobre a permanência da França na UE.

Em contrapartida, Macron - apontado como favorito pelas últimas pesquisas com 60% dos votos - quer dotar a zona do euro de um orçamento, um parlamento e um ministro das Finanças próprios, comprometendo-se com uma "política europeia de investimentos" e fortalecer a defesa da Europa.

"Precisamos de uma Europa mais eficaz, que proteja, que tenha resultados, mais concreta, que perturbe menos a gente no dia a dia, que seja menos burocrática", declarou Macron nesta sexta-feira em uma entrevista ao jornal francês Le Parisien.

Após o primeiro turno, Macron recebeu os parabéns dos líderes europeus de todas as esferas políticas, incluindo da chanceler alemã conservadora Angela Merkel, do primeiro-ministro grego da esquerda radical Alexis Tsipras ou do liberal primeiro-ministro belga Charles Michel.

O candidato do Em Marcha! promete retomar o motor franco-alemão, o que aumenta o entusiasmo na Alemanha, onde as eleições estão marcadas para setembro.

"Ser eleito em 2017 dizendo 'quero reforçar a Europa' vai completamente contra a atmosfera atual e isso tem impressionado em Berlim", onde Macron seduziu todos os pesos pesados ​​da coalizão no poder, desde o conservador ministro das Finanças Wolfgang Schäuble, ao social-democratas Sigmar Gabriel e Frank-Walter Steinmeier, ressalta Enderlein.

"No entanto, esta tarefa provavelmente será um pouco mais complicada", adverte Vincenzo Scarpetta, analista do think tank Open Europe. "Reformar a UE parece muito bom no papel, mas as ideias de Macron são ousadas, porque quer um orçamento e um ministro para a zona do euro. Seria realista dado que teria que mudar os tratados?", questiona.

Além disso, sua margem de manobra poderia ser limitada após as eleições legislativas francesas de junho.

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