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O chefe negociador europeu, Christian Leffler (E), e o vice-chanceler e chefe negociador cubano, Abelardo Moreno (D), em Havana, no dia 9 de setembro de 2015

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A União Europeia (UE) e Cuba concluíram, em Havana, a quinta rodada de negociações para normalizar as relações bilaterais, com avanços em comércio, cooperação e no complexo tema dos direitos humanos.

"Houve um progresso substancial, inclusive nas áreas de direitos humanos, democracia e governança; e se reduziram as brechas", disse à imprensa o chefe da delegação europeia, Christian Leffler.

"As discussões permitiram aumentar o entendimento mútuo" sobre direitos humanos, "o que facilita uma maior convergência de posições na próxima reunião" em Bruxelas, em novembro, destacou Leffler.

O chefe negociador cubano, o vice-chanceler Abelardo Moreno, avaliou que não houve "desacordos" entre as partes, e, sim, "enfoques diferentes" sobre direitos humanos e outros temas. Ele anunciou que as partes voltarão a negociar em novembro em Bruxelas.

"Eu me atreveria a dizer que pontos de desacordo não existiu, mas em matéria de direitos humanos há enfoques diferentes, em matéria migratória há enfoques diferentes, em matéria de desarmamento (...) há enfoques diferentes", afirmou.

"Acordamos também sobre voltarmos a nos reunir em uma sexta rodada em Bruxelas na segunda quinzena do mês de novembro, quando pensamos que já existirão as possibilidades de limar os pequenos aspectos que pendentes em comércio e cooperação para dar por concluídas essas partes do acordo", acrescentou.

A UE anunciou em janeiro de 2014 sua decisão de negociar um acordo com Cuba para deixar para trás a "Posição Comum" europeia de 1996, assumida a propostas do então governo conservador espanhol de José María Aznar, que condiciona a cooperação a avanços em direitos humanos na ilha.

Moreno afirmou que a Posição Comum "é um plano que deve estar a ponto de ficar para trás, já ficou para trás na verdade; agora esperamos que fique para trás institucionalmente em algum momento de um futuro próximo".

Cuba é o único país da América Latina que não tem um acordo de diálogo político com a UE, que em 2003 suspendeu a cooperação com a ilha após a prisão de 75 dissidentes cubanos (já libertados, os últimos em 2011).

Após a retomada do diálogo e da cooperação entre Cuba e UE, em junho de 2008, Havana assinou acordos bilaterais com 15 dos 28 países do bloco.

As negociações para um 'Acordo de Diálogo Político e de Cooperação' tiveram início no dia 29 de abril do ano passado em Havana.

AFP